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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Sacrifício. nossa geração sabe o que isso realmente significa?


Observando algumas fotos antigas, de cerca de uns 25 anos atrás, tempo que meus pais e pais de amigos meus, da minha geração, eram jovens, recém-casados e com seus primeiros filhos pequenos, não consegui deixar de notar a simplicidade e a humanidade nas imagens. Simplicidade e humanidade, algo que falta nessa nossa geração. Somos imediatistas, egoístas, orgulhosos, avarentos, não queremos deveres nem responsabilidades, muito diferente da geração de nossos pais que sempre encarou o mundo de frente e nos dava orgulho observo a mim mesmo e essa geração e sinto uma espécie de fracasso e vergonha.

Nossos pais casavam-se jovens, com empregos medianos, em época de crise econômica, trocas de moedas e reajuste diário de preços. Casavam-se e construíam um futuro juntos, uma casa, tinham os filhos e sabiam que a vida exigia deveres deles como pais de casarem-se suportarem as dificuldades da vida e bem criarem os filhos, dando a nós o exemplo da fibra, honra, valores, do que é o certo a se fazer.

Crescemos e fomos incentivados, por eles, que ao longo dos anos sofreram com as novas ideias televisivas e midiáticas um reajuste mental, e uma renovação de seus próprios valores que criaram essa nossa geração covarde, acomodada e que quer toda a conquista e merecimentos antes das responsabilidades e do trabalho duro.

Observo as fotos antigas e vejo carros simples, casas de madeira, mesa com comidas simplórias mas sempre fartas, crianças com roupas simplórias mas tendo o necessário para viver, risos, situações descontraídas e fotos com um grande grau de naturalidade. A humanidade familiar retratada tal como era na época, em que apesar do trabalho duro, das dificuldades, dos deveres, da crise econômica e tudo o mais, tinha seus momentos bons de felicidade e esta se residia na família, na união familiar, na troca de experiências e na união para a superação de dificuldades e apoio mútuo entre seus membros. A célula da sociedade humana em seu grau máximo de vivacidade e atividade biológica em resplendor.

Hoje em dia a situação parece muito diferente, logo na adolescência fomos ensinados a conquistar objetivos, independência, formação com cursos superiores em busca de um bom salário para não sofrermos tanto como nossos pais, eles diziam. Para não passarmos tantas dificuldades como eles passavam em suas épocas difíceis de crise econômica no país lá nos anos 1980-1990. Chamam os historiadores essa década brasileira de “A Década Perdida”, mas me parece muito mais perdida essa década que está em seus meados e que hoje vivemos, a década “2010-2019”.

Perdemos nosso senso de dever, nosso senso de batalha, de superação, de luta contra os obstáculos e dificuldades da vida porque fomos criados a procurar o conforto e as facilidades, a optar pela tecnologia e pela distração, pelo divertimento e pelas relações sociais de pouca profundidade e pouco interesse pelo outro. Pelo superficial pura e simplesmente.

Perdemos aos poucos tudo o que realmente moldaria nosso caráter e nos tornaria indivíduos fortes e aptos a enfrentar as dificuldades da vida e vemos crescendo uma geração de reclamões que ao invés de optar por batalhar em construir uma vida em conjunto, optam por querer que o governo e o Estado tudo lhe proporcionem; que ao invés do casamento e de relacionamentos estáveis optam por relacionamentos casuais e a solteirice para a vivência de uma adolescência tardia; que ao invés de terem filhos e tendo o emprego e o necessário ao seu sustento, optam pelo egoísmo e pelo orgulho em adquirirem a próxima novidade tecnológica ou escolherem o caminho das aventuras, viagens e diversões que o dinheiro possa proporcionar ao nosso tempo livre. Optamos pela distração ao invés da responsabilidade, pelas discussões inúteis em redes sociais ao invés da construção de uma família.

Passamos, por ter muito conforto apesar da simplicidade, a julgar a vida como algo fácil em um parque de diversões eterno, ao invés de vê-la como nossos pais a viram, com suas dificuldades, responsabilidades e temporal e finita onde se deve deixar um legado e construir um futuro, doar-se pelos filhos e continuar a família transmitindo-se valores.

Hoje em dia defendemos valores, tradição, a verdade, mas somos vazios pois não temos a quem passá-los e ao invés de nos dedicarmos a isso, que seria o mais sumo bem que faríamos ao futuro de nossas famílias, do país e da humanidade; nos dedicamos a debater sobre o assunto em redes sociais, jogando nossa vitalidade, juventude e potencial no lixo como se fossemos velhos filósofos a beira da morte que necessitassem de alertar alguém completamente desconhecido para que mantivessem vivas suas últimas palavras.

Somos uma geração o extremo oposto de nossos pais, insegura, com medo de responsabilidades, de uma vida de dificuldades, com medo de sacrificar-se, de apostar num relacionamento, de confiar no outro, de investir nossa vida, trabalho, dinheiro e tudo o mais para constituir uma família. Acreditamos que a vida deve ser uma estabilidade eterna, sobretudo econômica e deixamos o barco da vida ancorado na margem do rio ao invés de nos lançarmos nas águas da vida e enfrentarmos os perigos inerentes de um rio para que possamos só assim chegar à imensidão da felicidade de um mar que se chama família.

Perdemos a noção maior que a Igreja Católica ensina a todos, a noção sacrificial da vida e nos entregamos ao fútil, ao imediato, às facilidades. Nos tornamos mornos por escolha própria e só agora, que percebemos que há algo além disso nos damos conta que devemos nos tornar quentes, batalharmos, nos extenuarmos e nos entregarmos a algo maior que simplesmente nós, pois somos pó e ao pó voltaremos.

O que restará desse egoísmo? Nessa correria estudantil e profissional, em que nos distraímos a todo o momento com parafernalhas tecnológicas, redes sociais as mais diversas e divertimentos às centenas, o que restou de nossa simplicidade e humanidade? O que restou de objetivos além de acumular dinheiro? O que restou além dos seres humanos mornos que nos tornamos? Há algo mais em nós? Em nosso cerne? Em nossas vontades? O que aprendemos com nossos pais e porquê não colocamos isso em prática? Como despertar isso, esse ímpeto que nossos pais tiveram durante toda a vida, mas que foi abrandado pelas facilidades da vida moderna, pela tecnologia e pelas distrações várias? Essas são as maiores perguntas que temos para essa década, para não nos darmos a ela como uma década perdida.

Se não soubermos respondê-las podemos considerar essa década perdida humanamente, como vivendo por viver e pensando demais em nós mesmos e nos entregando às nossas mesquinharias e desejos ao invés de seguirmos o que Deus espera de nós católicos. “Crescei e multiplicai-vos.”, nos foi dito e parece que estagnamos e nos tornando meros anões diante da grandeza de nossos pais. Espelhemo-nos neles e cresçamos de modo simples e humano, sem rodeios e sem justificações infundadas. A vida é mais simples do que aparenta, complicamos ela demais e agora estamos embolados nesses fios que nós próprios criamos em nossas várias racionalizações da realidade. É isso, ou viver preso às ideias que nunca nos pertenceram, mas que sempre vieram de fora do nosso ambiente familiar, tornando a humanidade num antro de adolescentes imediatistas, irresponsáveis e sem futuro. Espelhemo-nos em nossos pais, em seus exemplos. É esse o nosso maior tesouro.

#João Carlos

terça-feira, 26 de abril de 2016

A sociedade pagã dos "gente boa"



Em questões de Fé e Moral, deve-se buscar as interpretações da Igreja.

Nas questões práticas, das Obras, deve-se refletir sobre os Evangelhos, de posse das interpretações sobre a Fé e a Moral e, só aí então, aplicar isso às Obras e as suas ações diárias.

O que eu vejo de muitos erros hoje, tanto em alguns protestantes quanto entre católicos é o extremismo nas Obras e o relaxamento da Fé e Moral.

Pratica-se filantropia (que nada tem da caridade e é uma falsidade e ilusão deixada a cargo para ONGs e Estado, e que nada mais representa que a preguiça e orgulho), se objetiva ser o indivíduo “gente boa” (no caso da pessoa que cumpre as leis e ser a tal “cidadã exemplar” que não mata, não rouba, não usa drogas, paga as contas em dia mas que defende ou ignora todo o relativismo atualmente presente em seu entorno; esse modo de agir nada mais é que apenas justificativa para permanecer no paganismo e irreligiosidade) e, por último e muito pior, relativiza-se a Fé e a Moral questionando-se a própria dignidade da vida humana no ventre (aborto) e na velhice (eutanásia); os papéis sexuais (esquecendo que homem e mulher Deus os criou); o modelo familiar baseado não na “família tradicional”, mas sim na Sagrada Família e com isso toda estrutura da humanidade e realidade como meio de busca de “reformar” a sociedade.

Nisso chegamos no que temos hoje: um bando de “gente boa” que está destruindo (no eufemismo politicamente correto: descontruindo) a sociedade, a naturalidade e finalidade última dos homens e mulheres, distorcendo todos os conceitos e que ainda tem a cara de pau de se afirmarem “cristãos” ou “católicos” quando na realidade são meramente pagãos defensores de todo esse mal que vem do relativismo (que nada mais é que a conivência com o pecado).

Dizem esses “gente boa” que deve-se lutar contra o patriarcado, a cultura heteronormativa, descontruir-se o que é tradicional. Isso implica primeiramente em demolir dentro da sociedade ocidental todo o fundamento de razão e Verdade que nela ainda exista. Os eufemismos refletem uma maquiagem como tudo mais na novilíngua, utilizando termos mais rebuscados ou recém-inventados coloca-se tudo o que é tradicional, verdadeiro, cristão como tudo o que deve ser combatido, falseado, ridicularizado, tornado aspecto de vergonha e incriminador da consciência individual.

No fim das contas, o que sai disso é a substituição da tradição e da cultura ocidental proveniente dos valores cristãos por qualquer outra coisa que não atrapalhe os planos de poder e enriquecimento da turminha “gente boa” que defende o pecado ao invés das virtudes; que quer a desconstrução não somente dos “tabus”, mas também de todos os valores e do próprio cristianismo para a substituição pelo respeito humano (que nada mais é que calar-se diante do erro e aceitá-lo), por culturas e valores alternativos e por fim a dominância ideológica completa.

O que sobra numa sociedade como essa é o que se vê hoje, a tal desconstrução: os desvalores; a bagunça; o crime; a morte; a violência; a corrupção política e social; em suma o paganismo em seu grau máximo de desumanização e violência como numa sociedade sem valores que a guiem e indivíduos sem objetivos maiores que o de saciarem os seus próprios desejos, vaidades, ganância e todas as suas maluquices.

#João Carlos