
“Curso de Integração Pessoal” foi um livro escrito pelo filósofo Mário Ferreira dos Santos por conta de um pedido de um amigo. Como professor, Mário Ferreira teve oportunidade de dar conselhos e ajudar muitos amigos, sendo, como se percebe no livro, realmente um grande conselheiro. A idéia chave do livro é que o homem é formado por corpo e alma, sendo que o fortalecimento da alma está diretamente relacionado à resistência para encarar as adversidades. O livro aborda conceitos importantes (psique, bem, mal, hábito, liberdade, dignidade, valoração, valorização, etc.), medita sobre eles e sugere exercícios e práticas para fortalecimento do espírito e, consequentemente, colaborando para que o homem adquira sua liberdade.
Ao todo, temos uma obra com aprendizados e raciocínios simples, porém de uma profundidade e importância incrível.
[Entre colchetes estarão os meus comentários]
- Para buscar o bem, é preciso antes buscar o bem em si mesmo. Depois de buscar o bem em si mesmo, ajudar os outros a encontrarem o bem neles;
- O esforço que ajuda a obter o bem é útil. Aquilo que distrai ou desvia do bem é, então, esforço inútil;
- Para conseguir o bem, não se pode deixar se escravo dele, é preciso dominá-lo. Para dominá-lo, é preciso ser o senhor de si;
- Ser o senhor de si mesmo é realizar o que de melhor há para nós; [ou seja, não se pode excluir os outros quando se busca ter o controle de si para fazer com que as coisas trabalhem para você].
- Sendo senhor de si você faz com que as coisas te sirvam e não que você sirva as coisas.
- Há diferentes tipos de personalidades: morfas, frágeis, facilmente desviáveis, impressionáveis, móveis ou o inverso. Sendo que dentro os extremos há uma graduação.
- Não há dois tipos de humanos iguais, senão dentro das formalidades estatuídas pela tipologia.
- O ser humano é formal e tipologicamente homogêneo (catálogo de tipos de personalidades), mas é individualmente heterogêneo, diferente, e diverso.
- Quanto mais fortalecida a tensão psíquica (alma), menos força terão as agressões que os estímulos exteriores podem realizar.
- Se a tensão psíquica [suporte da alma/espírito] for forte, malograrão todas as idéias errantes negativas, como também as preocupações, as angústias e os desajustamentos que daí decorrem se tornarão consequentemente menos comuns e mais difíceis de serem adquiridos.
- Todos passamos momentos de fluxo (entusiasmo, “sentir-se bem”, paz conosco mesmo, otimismo, vontade de atuar, realizar, empreender) e de refluxo (pessimismo, descrença em nós e nos outros, abatimento moral, tornando-se presa fácil para angústia, tristeza, inapetência, falta de entusiasmo, apatia, desilusão, desespero) psíquicos.
- Do refluxo e sua dificuldade de identificação decorrem inúmeras atitudes anti-sociais, irritações bruscas e fazemos o que normalmente (dizemos a nós mesmos) não seríamos capazes de fazer.
- Quanto mais fortemente os esquemas [normas dentro de nossa alma] estão gravados, mais nítido é o nosso caráter. [Em uma pós-modernidade decadente, necessitamos busca exemplos de pessoas de alto valor moral, ou seja, pessoas de caráter. Se depender da mídia, estamos “fritos”.]
- Portanto, hábitos formam caráter. Bons hábitos formam bons caráter. Há, contudo, que prestar atenção aos maus hábitos.
- Habitus é tudo aquilo que é adquirido, mas que não faz parte da essência. É possível, então, adquiri-los ou dispensá-los, embora às vezes, nos custe muito trabalho e boa vontade.
- Quem dispensa os maus hábitos é nossa alma em sua pureza (tensão psíquica forte); A cura de maus hábitos passa, pois pelo fortalecimento do espírito. [Buscar os mais altos valores morais. Dito de modo católico, buscar a santidade].
- A confiança em si é a maior virtude que se pode desejar para um homem.
- Quem tem confiança em si consegue realizar o que pareceria impossível. Pode parecer que não a temos, mas a verdade é que não sabemos como adquiri-la.
- A confiança em si não se adquire diretamente, mas direta e também indiretamente.
- Não basta dizer que se tem confiança em si [alguns livros de auto-ajuda tentam isso], pois ela não nasce apenas pela palavra.
- Tu és capaz de fazer muitas coisas. Hoje você consegue fazer coisas que anteriormente (quando criança, por exemplo) não conseguia, então é possível fazer amanhã o que hoje não parece difícil.
- Um dos nossos graves defeitos consiste na pressa. Não gostamos de empregar dias, meses e até anos na realização de uma tarefa que não nos ofereça imediatos resultados.
- Para que a mente conheça a serenidade, é preciso que o corpo a pratique constantemente.
- Permanecer em silêncio, pelo menos um certo tempo.
- Exercícios de análise de um grande pensamento, feitos com calma, sem precipitações, separando as idéias que estão entrosadas, para examiná-las, cada um per si, para depois concrecioná-las num conjunto de pensamentos, são de grande utilidade.
- Para resolver um assunto, examiná-lo ponto por ponto com calma e ponderação, sem deixar arrastar-se por impulsos afetivos, ajuda a dar ao menta a serenidade de que necessita. [Como diria o Ikki de Fênix ao Shun: “Chega de sentimentalismo!”].
- Um mental agitado não permite progressos e é presa fácil de preocupações fantasistas.
- A vitória sobre o mental é a realização plena da liberdade.
- Um sintoma do mental agitado está na busca desenfreada da novidade, da diversidade. Tudo desagrada. Há um temor de monotonia, que pode levar ao exagero de considerar monótono tudo quanto se repete. [Hoje em dia as revistas populares tentam empreender aquele famoso slogan: “fuja da rotina”. O que cria o sentimento de que a rotina é um mal em si mesmo, quando isso não necessariamente é verdade].
- No constante desejo por novidades, a própria novidade acabar por nos cansar, pois temos uma capacidade limitada para o sempre-novo.
- Não basta educação do mental, quando não há educação dos sentimentos.
- Júbilo: não se trata de uma alegria qualquer, como certas alegrias passageiras, que deixam atrás de si uma marca sombria e, às vezes, até um rasto de tristeza [a risada do escárnio pode ser um exemplo disso]. Trata-se do júbilo.
- O júbilo é predominantemente da intelectualidade e da afetividade.
- Cada instante da vida nos oferece muitos motivos para cultivar nosso júbilo. Cada uma das nossas pequenas vitórias, e somos vitoriosos quando superamos qualquer dificuldade, nos oferece um motivo de júbilo, se soubermos captá-lo
- Só com júbilo daremos maior positividade a cada um dos nossos instantes, e a vida é feita de instantes.
- O júbilo é o alimento da alma.
- É imprescindível, para nosso bem, este ponto de partida: o homem é composto de corpo e alma.
- A alma é o que liga mais profundamente ao que escapa ao conhecimento dos nossos sentidos, que é apenas corpóreo. [Ignorar a alma é, talvez, o grande erro do materialismo]
- Vemos nossos pensamentos sem os vermos. Podemos ver idéias que não têm dimensões nem formas espaciais, mas que compreendemos, aceitamos ou repelimos.
- Somos capazes de ver muito mais do que vemos, porque, com os olhos do espírito podemos ver o que os olhos do corpo não vêem.
- Quando meditamos sobre nós mesmos, quando examinamos, ou interrogamos conscientemente a nossa consciência, contemplamos nossas idéias, ou oramos a uma divindade, quer com palavras pronunciadas ou não, nós realizamos exercícios que tomam o nome genérico de exercícios espirituais.
- Assim como podemos realizar uma ginástica a fim de corrigir certas deficiências de nosso corpo, podemos realizar uma ginástica para o espírito, que nos auxilie a resolver nossos problemas e nos permita alcançar pontos mais elevados, que nos darão uma fruição maior dos bens que a vida oferece.
- Agradecer ao Bem todo benefício alcançado. E nunca esquecer que são muitos; [Talvez essa tenha sido a lição mais importante que eu aprendi com o Pe. Tarcísio]
- Quanto aos males sucedidos, nunca os atribuir ao Bem, mas apenas às relações do que acontece.
- Quanto às nossas faltas, realizadas durante o dia, firmarmo-nos no propósito de não repeti-las.
- Confiar que o Bem nos há de ajudar para o nosso bem.
- Evita as longas discussões, sobretudo com pessoas dispersas que juntam argumentos sobre argumentos, sem ordem e sem disciplina, misturando juízos apenas de gosto com algumas pseudoidéias mal-formadas e mal-assimiladas. [É por isso que não é nada aconselhável debater com esquerdista. A conversa com esse tipo deve ser no tom de desmascaramento]
- Nunca ceder às fogosidades do pensamento em conversar diluídas, dispersas, em que se fala de tudo e não se fala de nada. [Que preconceito contra as filosofias de buteco, vulgo conversa de bar, hehehe].
- Não percas tempo em discussão inúteis, sobretudo com fanáticos. O esforço que malgastas nessas discussões, aproveita-o para estudar, para meditar, para analisar bons temas. [Em caso de debate político, é recorrente que o fanático tente taxar você de fanático, então mostre para os que estão vendo a discussão que o fanático é ele].
- Confiar em ti mesmo é confiar em teu bem. E confiar em teu bem é confiar no Bem.
- Nenhum mal pode ser absoluto, porque ele é destrutivo, e se tivesse um poder absoluto, tudo já teria sido destruído.
- O Bem, portanto, é absoluto, porque não pode ser destruído. [As histórias infantis ajudam a ensinar essa importante lição, não é à toa que a pedagogia moderna quer trocar contos infantis por contos políticos e de luta social…]
- Um homem sem vida interior não é capaz de conhecer-se. A meditação facilita a interiorização, a concentração das forças psíquicas, e por seu aspecto dinâmico, racional e dialético, evita a fixação em idéia contempladas, que são um campo aberto às manias, tão perigosas. [Não é à toa que a mente média do brasileiro funciona basicamente em torno de slogans e chavões. Contemplam idéias fixas, sem meditar dialeticamente sobre elas].
- Procura sempre julgar os outros com justiça.
- Não exijas de ninguém o que está além de suas possibilidades.
- Ao examinar os erros que os outros praticaram, procura colocar-te na situação em que eles se
- encontravam.
- Apesar de colocar-se nas situações, tu não estás nelas. Portanto, dá mais força às circunstâncias, e procura compreender os outros para ajudá-los.
- Se podes fazer uma coisa que os outros não podem, não sejas demasiadamente exigente para com eles.
- Quando tenhamos que fazer algum trabalho desagradável por natureza, não devemos recuar.
- Não esqueçamos a força do jubilo, essa grande alimentadora de nossa alma e de nossa imaginação.
- Ora, todas as coisas têm valores e desvalores. Não estaremos apenas vendo os maus e escondendo aos nossos olhos os bons?
- A imaginação é um tema de vital importância par a integração de uma personalidade e para o domínio do mental. Sem domínio da imaginação, não seremos senhores do nosso mental.
- A força de um estímulo exterior está na proporção da atenção que lhe prestamos. Se atendemos para algo, captamos melhor e mais nitidamente o que nos era confuso.
- Uma imaginação quimérica, fantasista, desorientada, só pode dar-se num mental fraco, nunca num mental forte.
- O caminho do domínio da imaginação só pode ser aquele que começa pelo domínio do mental.
- A imaginação tem um poder criador: o de criar novas imagens pela combinação delas. Contudo, a imaginação não pode dar vida a essas novas imagens compostas.
- Há combinações que podem encontrar uma resposta na realidade, resposta de reprodução fiel, e outras que não o podem.
- Todos os grandes inventores, todos os grandes criadores, foram pessoas imaginativas.
- Educar a imaginação, portanto, não é destruí-las, mas conduzi-la para fins benéficos.
- Saber separar o que é mera ficção do que é realidade é importantíssimo e implica exercícios que começam onde começa o domínio do mental.
- A imaginação criadora tem ainda outra papel importante: o de criar realidades dentro de nós. Se não podemos criar realidade fora de nós, podemos, no entanto, criá-las dentro de nós. E eis onde a imaginação pode atuar positiva ou opositivamente.
- O homem é um feixe de possibilidade. Em nós, temos, em estado de potência, tudo quanto o ser humano pode ser e criar, tanto para o bem como para o mal.
- Nossa atividade psíquica tem o papel de atualizar (tornar eficiente, realizar) ou de virtualizar (colocar no estado de latência) tudo quanto podemos ser.
- É fácil agora compreender o que é sugestão, esse gerar sub, esse ordenar de modo a tornar em ato o que contemos em potência.
- Por isso, se a atividade do nosso espírito tomar um sentido positivo e benéfico para nós, pode atualizar o que nos é positivo e benéfico, assim como um sentido negativo, atualizará o que temos de negativo, de destrutivo, em nós.
- Podemos despertar as forças do bem como as forças do mal, de que tanto falavam as religiões e que a psicologia moderna nos auxilia a compreender em termos científicos.
- Dominar, dirigir, educar a imaginação implica necessariamente o domínio, a direção, a educação do mental.
- Concentrar nossa atenção sobre os fatos do mundo exterior, eis uma grande regra para o domínio das forças psíquicas.
- Aqueles que ante os fatos são dispersos, olham ora para cá, ora para lá, interessam-se por isto, ora por aquilo, enfraquecem cada vez mais o seu mental. [As futilidades e superficialidades do nosso dia a dia]
- Aconselham os psicólogos, como melhor método, para distinguir a realidade da imaginação, observar quanto há de correspondência sobre o que pensamos com a sucessão dos fatos. Muitos imaginam que isso ou aquilo pode ser ou da-se, mas os fatos os desmentem.
- Portanto, os fatos do acontecer universal podem servir-nos de guia para que analisemos os nossos pensamentos e nossas opiniões.
- Tal procedimento desempenha um grande papel, além de conseguir novas estruturas com velhas imagens, de valorizar os valores.
- O que valoramos pode receber de nós uma nova cargar valorativa, e darmos mais valor ao que tem menos, e menos ao que tem mais.
- A medida dos valores é realmente difícil. A própria Economia não resolve facilmente esse problema, e a Filosofia também não.
- Portanto, precisamos estudar os valores para que saibamos guiar-nos ante as circunstâncias e sabermos quando nos excedemos em nossas valorações (ação de captar um valor) e valorizações (dar suprimento de valor a um valor, já valorado).
- Uma imaginação positiva criadora, e uma inovadora, são úteis, benéficas e devem ser alimentadas.
- É criadora a imaginação quando ela trabalha na estruturação de velhas imagens para construir uma nova imagem sintética, como a realizada pelo artista.
- É inovadora, quando ao perceber as possibilidades de alguma realidade, dá-se a esta uma nova ordem que permita inovar algo totalmente não conhecido, como procede, por exemplo, um industrial talentosos, que pode, com velhos materiais, com velhas técnicas, criar uma nova modalidade de produção.
- Mas como há sempre um perigo de desdobramento, uma imaginação positiva, quando desmensura, pode torna-se desregrada.
- A análise dos juízos de valor é o ponto de partida mais importante para uma verdadeira análise da imaginação e do pleno domínio de nós mesmos.
- Sempre que damos uma preferência a isto ou àquilo, e preferimos aquele a este, estamos revelando que há valores.
- Nossa imaginação nos dá o que desejamos… mas nos dá como imaginação. Ex: quando estamos dormindo e sentimos fome, sonhamos com comida.
- Nossa imaginação trabalha quando estamos vigilantes e ela atua valorizando os fatos. Sabemos que valorar um fato é captar o valor que ele tem. Valorizar é dar um valor ao valor, como desvalorizar é tirar valor de um valor, diminuir o valor de um valor.
- Valorar é apreciar com justeza o valor. Valorizar é dar mais ou dar menos. Portanto, no valorar, já atuamos diferentemente de quando valoramos.
- Nossa imaginação, que tem um poder criador, pode emprestar a uma coisa um valor que a coisa não tem.
- A imaginação tem uma origem, psicologicamente falando, na nossa sensibilidade e na nossa afetividade. Ela surge espontânea, no fundo do nosso ser.
- Nossa razão pode efetuar um grande trabalho para controlá-la, porque a razão, sendo fria como é, analista e sintetizadora como é, pode nos ajudar na análise de nossas ficções, facilitando-nos o meio de encontrar um controle para nossas criações.
- Analisar os nossos juízos de valor e ver quanto há neles de valoração e de valorização é o primeiro passo para o domínio da imaginação. Pois, à proporção que descobrimos nossos interesses, isto é, nossa disposição a preferir isto àquilo, aprendemos a julgar melhor. [Uma das coisas que o relativismo faz é destronar com a hierarquia dos valores. Toda opinião ou gosto é tido como igual, o que é certamente um veneno para o domínio da imaginação, pois estimula a imaginação desregrada].
- Quantas vezes, no decorrer do dia, prejulgamos os acontecimentos; quantas vezes esperamos que algo sucedesse e não sucedeu ou, quantas outras, o inesperado surgiu sem que tivéssemos sequer imaginado que tal pudesse suceder.
- E quantas vezes procedemos com lógica e em quantas outras fomos verdadeiramente irracionais, deixando-nos arrastar pelas primeiras impressões, sem prestar a devida atenção aos acontecimentos?
- E quem irá controlar a imaginação, que é espontânea, que surge com todo o irracionalismo natural de uma criança, com ímpetos e desejos infantis, se não o nosso mental? [Não é à toa que a pós-modernidade age culturalmente de modo a infantilizar as pessoas, de modo a enaltecer os impulsivos desejos humanos].
- Uma imaginação desbordada é uma imaginação que não foi bem condizida para um recipiente, como os rios, quando os leitos não são suficientes, transbordam as margens e inundam os campos.
- Não esquecer que há sempre uma luta entre nossa vontade, orientada pelo nosso eu consciente e os impulsos que vêm do inconsciente. No próprio mental, há forças que lutam pela desordem e se rebelam. [O mundo pós-moderno ataca o eu consciente em benefício do inconsciente, bestializando o homem].
- Nossa imaginação trabalha por associações. Dá-se um fato, assistimo-lo; logo a nossa imaginação associa uma sequencia de imagens que o completam. Mas essas imagens não surgem sem uma razão.
- Elas não vem ao acaso como muitos julgam. Há um nexo entre elas, um nexo que é preciso examinar.
- O interessante dessa análise é que, no mesmo instante, substitui-se uma preocupação de ordem afetiva por uma preocupação de ordem intelectual.
- Em vez de prosseguir angustiando-se na vivência de uma preocupação, passa-se a viver outro modo de preocupar-se, que oferece um prazer, o prazer da análise, o prazer da pesquisa. E, em pouco tempo, o estado de desagrabilidade que conhecera a princípio, é substituído por outro, cheio de agradabilidade, o que oferece a análise intelectual, racional dos nexos e das razões.
- Lembra-te que somos também o animal ao lado do anjo. Há em nós sordidezes que não nos devem espantar, pois somos seres humanos (síntese de animalidade e espírito). Não precisarás destruir o Gênero (animalidade) para beneficiares a que te diferencia a inteligencia. Nem tampouco precisarás sacrificar a segunda pela primeira. Hás de alcançar a harmonia entre ambas, necessária para o equilíbrio de ti mesmo.
- O pessimismo é a atitude mais fácil que existe. Os que julgar que precisam de sombras e sofrimentos para criar, só criarão sombras e sofrimentos. Eles precisam de luz.
- Medita sobre a dignidade humana. Olha o espetáculo do mundo e vê como o homem perde em valor onde há ditadura, onde há opressão, onde há brutalidade, travestida de lei e de idéias “progressistas”. Verás que os que intitulam os mais realistas são os que glorificam e adoram as maiorias abstrações.
- Sê orgulhoso da tua dignidade. Ter maus pensamentos, pensamentos destrutivos, é muitos fácil.
- Constrói grandes e nobres pensamentos. Aumentarás a tua dignidade, o teu valor.
- A alegria dos outros não é um furto à nossa alegria. Sê feliz pelo bem que dá alegria aos outros.
- Todos nós somos insatisfeitos, uns mais, outros menos. É uma condição de todo ser limitado. Sempre algo nos falta. Mas, quanto tens, por que vais pensar na falta? Se estás aqui e sentes a falta de não estar ali, não consegues a alegria que te dá o momento que passa.
- A construção do esquema fundamental do eu, solidamente estruturado, só pode ser constituído de positividades e não de negatividades. O negativo não compõe a essência de qualquer coisa, como se vê na filosofia. Um copo não é um copo porque não tem isto ou aquilo, mas porque é isto e aquilo.
- O que é negativo, e sem fundamento, é simplesmente repudiado por uma argumentação simples, positiva. Não se deve proceder como os mórbidos, que se entregam ao seu problema, à sua negatividade, para explorá-la com furor, em plena exibição e excitação de seu componente masoquista, no intuito de provocar nos outros repetições do seu estado doentio. Se outros mórbidos, posteriormente, vão dar valor a essa obra, como superior, é porque ela corresponde à morbidez que os anima. [É por isso que ideologia destrutivas/libertinas/licenciosas são atraente a um grande conjunto de pessoas. É através delas que conseguem suas “justificações”].
- Cada dia, cada momento teu, procura realizar uma positividade, tomar uma atitude positiva. Não te deixes impressionar pelas carpideiras milenárias, nem pelos propagandistas da miséria e do sofrimento humano. Afasta-te dos que propagam o mal.
- O verdadeiro gênio não é sombra. O verdadeiro gênio é luz; é luz meridiana, é sol, é alegria.
- Pretendes fazer algo, mas o teu medo se mascara de racionalidade, e oferece argumento aparentemente sólidos para que não faças isto ou aquilo. Na verdade o teu medo procura enganar-te, mostrando-te apenas uma precaução, uma prudência, ou aconselhando-te uma atitude que te ponha a coberto do que temes.
- Não há dúvida que o medo é também positivo e constrói obras grandiosas. Mas é preciso evitá-lo, quando se torna negativo e, portanto, destrutivo.
- O medo possibilitou grandes avanços técnicos e científicos, mas o medo, quando predispõe situações contra o teu bem, é destrutivo e não deves aceitá-lo. É fácil saber quando o é.
- Há dois mundos. O mundo da natureza (ex: pedra) e o mundo da cultura (a pedra transformada em paralelepípedo)
- No mundo da cultura, é onde o homem cria, onde o homem modela as coisas com a marca do seu espírito; é o mundo da criação.
- O homem é um ser da natureza, mas que constrói uma cultura. E por que pode o homem construir uma cultura, o que não fazem os animais?
- Ora, quem faz alguma coisa é porque podia fazê-lo. E a prova de que podia é que o fez. E se fez, tinha, portanto, um poder para fazê-lo; tinha em si algo efetivo, que lhe permita realizar o que outros seres não o podem.
- O homem, portanto, é diferente dos outros seres, pois tem um poder que os outros seres não têm. O corpo do homem é carne, sua carne é matéria orgânica, e nessa matéria estão os minerais. Não há dúvida. É tudo isso; mas há nele o que não há nos outros seres: espírito criador.
- Não há dúvida que, na essência do homem, há o que não há nos outros seres. E chamavam os antigos filósofos a essa essência de rationalitas, que deve ter um sentido bem claro: é o espírito humano em toda sua atividade.
- O ser humano, portanto, atualiza esse poder na sua capacidade ilimitada de realizar perfeições. Se não as realiza todas de uma vez, tem porém, a possibilidade de realizá-las uma após outras, e a história humana nos mostra que o homem é o grande realizador das perfeições.
- Por perfeição se entende a realização de uma possibilidade. Essa realização pode ser ainda melhor, e atualizando esse melhor, é uma uma perfeição que se atualiza.
- Se distinguimos bem, poderemos dizer que o homem não é capaz de realizar a máxima e absoluta perfeição, aquela atualização de toda as possibilidades, porque, imerso no tempo, e dele dependendo, tem de realizar, uma após outra, as possibilidades. E também não alcança a totalidade da perfeição; não se pode negar, porém, que ele pode avançar cada vez mais, realizando perfeições sobre perfeições.
- Na forma de uma pedra, há a pedra; na forma do homem, há algo mais: o espírito. Portanto, o espírito, que é ser também, realiza-se no homem, e não nas coisas. E aqui está a dignidade, o valor do homem: ele tem e realiza o que não tem e não realizam as coisas do mundo físico.
- O homem diferencia-se das coisas por ser criado; as coisas do mundo físico apenas são seres da natureza. O homem é natureza e é espirito.
- O bem nem todos sabem colher. Uns porque ignoraram como encontrá-lo; outros porque o temem.
- Esse fruto é a liberdade.
- E embora pareça incrível, há muitos que temem a liberdade. E pode-se dizer até que o mais doloroso espetáculo que se assiste hoje no mundo é o medo que provoca, medo que gera o temos das responsabilidades.
- O homem é um animal racional: verdade que todos aceitam.
- E ser racional é ser capaz de escolher, capaz de preferir, de pesar, de comprar esta ou aquela solução, de captar as possibilidades das possibilidades.
- O homem pode prever as consequência de seus atos. Pode imaginar que se proceder assim, poderá suceder isto ou aquilo.
- Se o homem fosse apenas uma máquina, apenas um autômato, que realiza os atos pela determinação de uma força, não teria noção do futuro.
- O ter noção do futuro demonstra independência, capacidade de escolher no suceder que sobrevém.
- É por isso que o homem é um ser autônomo e conhece a liberdade.
- Temos um impulso para a prática de um ato determinado. Queremos refletir as consequências, e a nossa imaginação põe-se a trabalhar, revelando-nos uma série de acontecimentos possíveis, que vamos analisando racionalmente. Afinal, contrariando nosso impulso, vencendo nosso desejo, resolvemos não fazer o que desejávamos. [Esse tipo de prática está em falta nos dias atuais. A cultura hedonista permite a justificação dos impulsos e cerceia a liberdade do homem, pois lhe tira a responsabilidade. Ou dito de outro modo: liberdade não é sinônimo de libertinagem].
- Negar esse fato prático, seria negar praticamente todo o poder da educação.
- Estamos numa época mais terríveis da história do homem. Apesar de toda a nossa grandeza, de todo o progresso material que conquistamos, apesar de todo o desenvolvimento de nossa ciência, de nossa técnica, estamos, no entanto, num desses momentos cruciantes da vida humana, em que muitos homens estão dispostos a perder sua liberdade.
- Contam-nos a impiedosa mentira de que a solução para os problemas do homem consiste apenas em ter o estômago cheio e o corpo coberto. Não, liberdade é muito mais.
- É através da conquista da própria liberdade que podemos garantir melhor tudo isso. O caminho da liberdade é o da prática da própria liberdade. É com a prática da liberdade que formamos homens livres.
- Como poderás vencer se estás desde já disposto a ceder a tua liberdade por um prato de lentilhas? O caminho da vitória é o caminho da liberdade.
- Pratica a liberdade, e respeita a dos outros, que respeitarão a tua. Onde houve escravos, liberta-os. Onde houver opressão, rebela-te. Não podes ser livre onde há homens escravos.
- Podes até perder até a tua última esperança, mas nunca deves perder a tua dignidade.
- O homem aumentou o seu poder de dominar o mundo, mas diminuiu em seu valor, em sua dignidade.
- O homem não vale nada para o homem; a vida humana é de pouca valia.
- Medita sobre essa máquina imensa que consome vidas, que é a civilização, observa essa pavorosa desvalorização do homem, a que hoje assistimos.
- A compaixão está desterrada de entre os homens. Mas se a compaixão está desterrada é porque possui ela algo que não se coaduna mais com a nossa vida.
- Se a compaixão não pode mais resolver essa gravíssimo problema, que é a desvalorização do homem, muito menos resolverá a nossa indiferença.
- Não serás um vitorioso no sentido pleno da palavra, se não compreenderes que vales alguma coisa, que és uma vida que tem valor.
- O homem tem uma dignidade que deve ser apreciada, que é o seu bem maior, o verdadeiro bem.
- Respeita a dignidade de teu semelhante para que também sejas respeitado. Não julgues que o homem mais forte em personalidade é o que se afasta dos outros, o que despreza os outros. [Fugir da arrogância]
- À humanidade de hoje falta a realização de uma grande obra. Assim como ela alcançou um grau tão elevado na ciência, na técnica, ela deve elevar o homem em dignidade.
- Pratica a liberdade e alcançarás a tua liberdade.
- E se em cada momento te puseres como um espectador de ti mesmo, um juiz austero de teus atos, se te colocares, em suma, ao te observares, ao examinar-te, com absoluta separação de tuas paixões, conquistarás subitamente um estado tão elevado, que te dará um prazer que é superior a todos os prazeres que conheceste.
- A liberdade é Deus que fala em ti. Segue-a.
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