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terça-feira, 18 de novembro de 2014

O Verdadeiro Papel do Shibumismo


A ideia inicial do shibumismo era a de criar uma filosofia da Real, isto é, uma abertura de pensamento para correção dos erros da ideologia realista. Os principais problemas observados eram as bases conflitantes de Nessahan Alita e a base cristã do que viria a se tornar o shibumismo.

Nessahan Alita e a Real tem suas bases no desapego, frieza, desapaixonamento, morte do ego por parte dos homem e ideia de lado obscuro feminino. Os problemas dessa estrutura é a base gnóstica, conforme o explicado por Eric Voegelin em "Science, Politics and Gnosticism".

A base nessahânica é limitada e isso é um limitante para a própria Real. A base principal é a redução dos homens e mulheres ao determinismo biológico, uma tendência frequente no mundo moderno em comparar homens a animais. Na Real, no caso, o homem é comparado aos machos alfas e as mulheres às fêmeas a serem fecundadas, tal qual os biologistas classificam os animais dentro de seus bandos. Essa é uma das principais tendências dos intelectuais modernos, em reduzir o humano ao animalesco, esquecendo de suas características espirituais.

Com o ser humano reduzido ao seu caráter mais animalesco e entregue aos instintos e à busca de sobrevivência dos mais fortes, o shibumismo tenta resgatar o caráter humano dos próprios homens através da melhoria total do homem, aliando-se o crescimento pessoal integrado, a saber, espiritual/físico/emocional.

Já foi até mesmo mencionado que o principal papel da Real deveria ser a busca da verdade, porém encontrou-se alguma resistência quanto a isso, assim o shibumismo, de base cristã católica traz a Verdade como seu pilar principal, não há meio termo, tampouco adequação da filosofia shibumista ao que bem entender o sujeito que participe do shibumismo, é preciso que o membro siga fielmente as bases cristãs para que obtenha todos os ganhos em seu crescimento pessoal.

A principal meta da Real atualmente é desmascarar o lado obscuro feminino, para isso seus membros passam o dia discutindo o que se encontra de pior na sociedade no que tange ao caráter feminino. O principal padrão de feminilidade, se é que é possível chamá-lo assim, é o padrão da mulher traiçoeira, da mulher promíscua, que faz do companheiro uma carteira ambulante.

Várias são as discussões diárias que se encontram nesses redutos, que vão desde homens se suicidando por paixão (algo que aparenta ser corriqueiro), até mulheres feministas radicais, promíscuas, mulheres com o menor nível moral possível e mundanas ao extremo.

Pouco se vê a respeito de discussões sobre mulheres que seriam adequadas para relacionamentos e quando se vê algo do tipo geralmente é o besteirol que "a mulher deve ser uma dama na sociedade e uma puta na cama", isto é, oferecer sexo à vontade, ao mesmo tempo em que é uma mulher recatada, com preceitos cristãos, familiar e capaz de educar bem os filhos. Isso é claramente ilógico, visto que não é possível encontrar tal pessoa que tenha sua característica espiritual e emocional fortemente desenvolvidas se a pessoa está entregue aos vícios da luxúria.

As discussões sobre assuntos masculinos ganham algum destaque, mas pouco perto do preconizado por um membro bem conhecido por sua frase lapidar: "Reergam os sexo masculino." Pois bem, e no que consistiria os homens reerguer o sexo masculino? Consiste em falarem de assuntos que sejam assuntos masculinos como esportes, trabalho, carros, política, religião, piadas, livros, cigarros, bebidas, pesca, família, negócios, profissão, trocar informações que sejam de relevância.

No entanto o que se observa? Que grande parte desses homens, até mesmo muitos dos realistas, como se é possível notar nos fóruns, blogs e incluso nos podcasts de EdRs (encontros da Real), o assunto orbita ao redor de mulheres: seja sobre relacionamentos, ou mulheres que os confrades estão marmitando, GPs (garotas de programa), assuntos familiares em que a mulher é a peça-chave do causo, mulheres atuais e aumento da promiscuidade.

O que se observa é que grande parte dos homens ao tentarem reerguer o sexo masculino escolheram o caminho errado e perderam o foco principal que é o homem, o qual não está nesse mundo somente pelos relacionamentos com o sexo feminino.

Tentando fugir da "matrix" e do maginismo eles acabam falando quase em todo seu tempo daquilo que é o assunto que tanto criticam no homem comum não conhecedor da Real: mulher.

Nesse meio em que o assunto predominante são os seres do sexo feminino, claramente se observa que o intuito maior quando se fala em crescimento pessoal, é que esse crescimento proporcione como consequência mulheres. Dessa forma grande parte do desenvolvimento pessoal de muitos realistas fica fora de foco, desistências são comuns, assim como o desânimo, diminuição da auto-estima com o passar dos anos e a limitação dos próprios objetivos com a vida de muitos homens se restringindo somente aos ganhos materiais e quando muito aos ganhos materiais e desenvolvimento físico.

Poucos são os membros que se dedicam a aliar crescimento emocional/físico/espiritual. A grande maioria cai no que pode ser chamado de crescimento pessoal medíocre, isto é, crescimento limitado.

Geralmente é aquilo que grande parte dos homens já fazem mesmo sem conhecer a Real: prática de musculação/esportes, cursos e graduações, algum curso de língua estrangeira e geralmente a coisa se restringe a isso, a vida normal de grande parte dos homens atuais. Isso cria dois problemas, na ideia do realista o mundo parece agir contra ele e ele parece crescer pouco em relação ao ideal individual preconizado.

Há nos homens a necessidade de destaque perante aos demais e à sociedade de um modo geral, de tornarem-se importantes, influentes e no caso de muitos como principal serem notados pelas mulheres e desejados por elas ao invés dos homens ao seu redor. Com essa busca de diferenciação limitada ao que quase todos fazem o realista dificilmente se destaca da multidão. O muito que se consegue é algumas "marmitas", sexo casual ou algum dinheiro para pagar garotas de programa.

A minoria que tem relacionamento sério tende a agir friamente no relacionamento, surtar na busca por "joguinhos" da namorada e no caso dos casados ficarem com o rabo preso temendo que a própria mulher o largue e este tenha de viver por 18 longos anos pagando pensão.

Essas são algumas consequências da Real e dos indivíduos a adaptarem aos seus próprios modos, não há algo a seguir, algo comprovadamente que funcione, é na grande maioria um grande jogo de erros e acertos em que se obtém experiência (chama-se de internalização) conforme o homem apreende os conceitos e os consegue moldá-los para uso próprio no seu dia a dia.

Pra alguns funciona, pra outros nem tanto. Pra esses últimos geralmente as reclamações e papo-furado a respeito de mulher só aumentam no decorrer do tempo chegando ao ponto do homem desistir de casamento, constituição de família ou mesmo de relacionamento sério.

O diferencial do shibumismo é justamente aliar o crescimento físico/emocional e espiritual. O que sustenta o homem é principalmente seu espiritual em ordem, por isso mesmo são necessárias as leituras e entendimento das bases shibumistas de Chesterton; do Pe. Paulo Ricardo e demais autores cristãos e católicos para que o homem ordene seu centro ao mesmo tempo que ordena as demais áreas da própria vida e seu emocional. Isso é totalmente ao contrário da Real com as bases nessahânicas onde o homem precisa reprimir seus sentimentos, se fechar do mundo como se todos quisessem lhe passar a perna e tender seu caráter a obter o desenvolvimento material a todo o custo para tornar-se completamente independente do mundo (isso lembra muito a doutrinação feminista dada às moças para que essas criem a própria vida, trabalhem pra se sustentar e não depender do marido).

A frieza aqui é justamente uma fuga e não há outra palavra para defini-la, na busca por um auto-controle forçado o realista anula muito de sua humanidade e entra numa espiral de emoções desordenadas tendendo ao rancor pelo mundo e ódio pelos seus sonhos de matrixiano (casamento, filhos, família) que aliado com a "realidade" propagada nos fóruns de que toda mulher é perversa e vadia até que se prove o contrário prende esses homens em uma estrutura comportamental e emocional de realidade que torna as relações humanas superficiais, levando a algo quase que próximo do animalismo propagado pelos intelectuais modernos.

É como nos filmes atuais em que os seres humanos são associados a algo medíocre, em que a humanidade é relacionada ao medo e que só quem pode salvar aos humanos é alguém sobre-humano como um X-Men, um vampiro, o Homem-Aranha. Da mesma forma na Real só quem pode salvar o realista é o perfil masculino ideal e quem o conhece e o inventou, o escritor Nessahan Alita.

Se o homem polariza na frieza ele deixa de ser homem. O próprio blogueiro que buscava reerguer o sexo masculino era muito mais humano que a maioria dos realistas atuais. Nele era possível ver seus traços de indignação mas ao mesmo tempo era alguém que tinha humor e que buscava auxiliar aos demais rebaixando a si mesmo e criando um próprio personagem medíocre de si próprio para que com esse humor ele conseguisse a atenção do leitor para o que desejava, que o homem se dedicasse aos assuntos dos homens e não somente à mulheres.

O erro de muitos dos realistas é que não souberam interpretar naquela época a realidade do personagem e ao invés de lutarem pra irem em busca de sua humanidade resolveram vestir a roupa do personagem silviresco todos os dias de sua vida e tal qual um Dom Quixote saem pelo mundo se sentindo uns bostas, incapazes e os seres mais ridicularizados pelas pessoas que os envolvem. Buscando fugir da ridicularização passaram a viver o personagem peludo, rude, feio e viril, animalesco ao invés de se tornarem homens e buscarem o respeito dos demais pelos seus próprios méritos e pelo seu sucesso, que como diz o Doutrina, é a verdadeira vingança do homem honrado.

Mas para ser honrado é preciso primeiramente ser bom, bom primeiramente consigo e mesmo e posteriormente com os demais que convivem com eles. Deixar de lado o personagem "reclamão" e chorão que servia de alerta aos paspalhos e se tornar um homem de fato.

O que se vê nos fóruns é esse choro, esse rebaixamento, esse vitimismo perante o mundo mau e sufocante de seus imaginários, e que mesmo perante toda a sorte de legislações estapafúrdias; tentativas de fazer minorias prevalecerem em relação à maior parte da população e frustração a respeito da política e das instituições ainda é capaz de dar oportunidades a homens que realmente se dedicam aos seus afazeres e que reerguem a si mesmos por suas próprias forças, vontades e méritos.

Algo bem diferente do recorte de realidade presente nos fóruns, o recorte midiático do mundo humano de atrocidades das tribunas do país em que se apertarmos um jornal que trazem a nós todos os dias essas notícias escabrosas e apelativas que parecem tentar tirar nossa firmeza espiritual e capacidade de controle emocional buscam desestabilizar cada um de nós, tanto homens como mulheres, pra que adotemos tais posturas dotadas de raiva, do vazio e da frieza que tanto os que buscam controlar e ter poder sobre tudo no mundo querem de nós.

Esse isolamento numa realidade própria, com despejo de recortes de realidade levam à formação de um filtro em que cada acontecimento ou observação passa primeiro por ele antes de uma análise mais aprofundada a respeito do acontecimento. O filtro retém muito e passa somente o que o individuo quer enxergar, passa somente aquilo que Luciano Ayan chama de frames.

E esses frames, as tais palavras-gatilho acertam em cheio a mente do indivíduo o levando a um comportamento e resposta automatizada que foi formado ao longo de vários anos de aprofundamento em uma realidade específica e isolada do mundo real.

Hoje em dia é assim com todos os lados quando se observam ideologias tais como: ateísmo; feminismo; realistas; conservadores; direitistas; socialistas; gayzistas; liberais econômicos e demais que tenham sua ideologia voltada ao mundo material e quanto mais obstinada a busca por mudança no mundo, de modo a tornar o mundo um paraíso celeste, mais forte a resposta de indignação do sujeito, na maioria das vezes tendendo para a raiva súbita e o ataque desproporcional e direto contra as ideias do oponente.

Como dizia Nelson Rodrigues:  "Amar a humanidade é fácil. Difícil é amar o próximo." E é exatamente isso que se vê quando alguém quer mudar o mundo conforma as ideias da própria mente, julgando que o ideal é que todos sejam como ele deseja.

É isso o próprio super-homem nietzschiano em sua forma maior, assim observa-se que a salvação para os direitistas é um mundo comandado por um Reagan; pros esquerdistas por um Marx; pela Real é todo homem ser realista; para as feministas que todas as mulheres terem poder e que só isso é o principal para uma mulher; para os gayzistas eles poderem fazer o que quiserem de baixarias mesmo que isso desrespeite aos demais, vá contra as crenças religiosas da maioria ou mesmo que vá contra os dogmas da religião tentando impor isso acima das doutrinas e valores seculares construídas pelas religiões; para os liberalistas econômicos a solução é que o livre-mercado (materialismo) salvará o mundo; para os ateístas que todos tornem-se medíocres e obtenham a desejada aridez espiritual e a ideia que tudo acaba aqui, portanto é melhor curtir a vida e viver cada dia como se fosse o último, como um louco tentando correr de fórmula 1 numa estrada de terra.

Somente os cristãos sabem (e uso esse termo devido à solidez dos ensinamentos da Igreja Católica) que esse mundo aqui é algo passageiro e se pode obter coisas maiores. Esses são os principais motivos do shibumismo ter em sua base o cristianismo e buscar repassar isso a seus membros com a melhor qualidade possível, de modo lento mas ao mesmo tempo grandioso pois queremos construir algo perene e que eleve o homem como um todo e não somente em seus aspectos materiais ou meramente mundanos. Tornar o homem verdadeiramente homem e não somente um rascunho de suas próprias vontades.

#João Carlos
Texto construído a partir da live feita pelo Lawlyet Leonardo em 02/11/2014

domingo, 17 de agosto de 2014

Em busca de Sentido – Viktor Frankl


Em tempos de guerra cultural onde um dos lados luta pela utópica produção do “novo homem”, também referido pelos pensadores revolucionários como processo de “libertação”, temos em Viktor Frankl o resgate de verdades essenciais para o homem de sempre.

O novo homem não é possível. A premissa para produção do “novo homem” é falsa, contudo diversas correntes ideológicas insistem no empreendimento que considera o homem como ser completamente material, podendo ser ajustado como um burro atrás de uma cenoura através da modificação do ambiente. Ou seja, investem de modo que o “novo homem” emerja da destruição do velho, através de todo um robusto processo de manipulação.

A experiência de Frankl nos campos de contrações nazistas, contudo, mostrou o contrário. Por mais que o ambiente externo possa ser modificado, a liberdade do homem permanece inquebrável internamente, ou seja, na inspiração e nos anseios da alma. Como judeu que sofreu nos campos de concentração nazista, ele viu os dois lados da moeda: tanto homens que se tornaram cruel e sádicos, quanto homens transformados em santos, que arriscava a vida para amenizar, nem que fosse um pouco, a dor do próximo.

A partir das experiência no campo de concentração, Frankl desenvolveu a logoterapia. O paradigma é até simples de entender. Enquanto muitos no campo de concentração pensavam “Será que eu vou sair com vida do campo de concentração? Caso contrário, todo esse sofrimento não tem sentido”. Frankl levantada a questão de um modo um pouco, mas profundamente, diferente: “será que tem sentido todo esse sofrimento, toda essa morte ao nosso redor? Caso contrário, em última análise não faz sentido sobreviver; uma vida cujo sentido depende de semelhante eventualidade – escapar ou não escapar – em última análise nem valeria a pena ser vivida.” Eis a grande finalidade da logoteraria: a busca do sentido, inclusive (mas não apenas) no sofrimento.

Na atual sociedade moderna onde as pessoas estão mal condicionadas a enxergar a felicidade como meta e a infelicidade como sintoma de desajuste, a terceira corrente de psicoterapia de Viena alerta que “esse sistema de valores poderia ser responsável pela circunstância de o fardo da infelicidade inevitável ser acrescido da infelicidade pelo fato de a pessoa ser infeliz” e que a pessoa “não só é infeliz, mas também tem vergonha de ser infeliz”.

Por estarmos imersos em uma sociedade de idolatria aos valores jovens e rebeldes (canalhas, segundo Nelson Rodrigues), pode parecer que Frankl está sendo pessimista. Falso. A grandiosidade da descrição da logoterapia está justamente em sua profundidade. Como podemos notar quando o psicoterapeuta aborta o conceito de vazio existencial:

O vazio existencial é um fenômeno muito difundido no século XX. Isto é compreensível; pode ser atribuído a uma dupla perda sofrida pelo ser humano desde que se tornou um ser verdadeiramente humano. No início da história, o homem foi perdendo alguns dos instintos animais básicos que regulam o comportamento do animal e asseguram sua existência. Tal segurança, assim como o paraíso, está cerrada ao ser humano para todo o sempre. Ele precisa fazer opções. Acresce-se ainda que o ser humano sofreu mais outra perda em seu desenvolvimento mais recente. As tradições, que serviam de apoio para seu comportamento, atualmente vêm diminuindo com grande rapidez. Nenhum instinto lhe diz o que deve fazer e não há tradição que lhe diga o que ele deveria fazer; às vezes ele não sabe sequer o que deseja fazer. Em vez disso, ele deseja fazer o que os outros fazem (conformismo), ou ele faz o que outras pessoas querem que ele faça (totalitarismo).

Um levantamento estatístico recente revelou que entre os meus alunos europeus, 25% mostravam um grau mais ou menos acentuado de vazio existencial. Entre meus alunos norte-americanos a porcentagem não era de 25, mas de 60%. O vácuo existencial se manifesta principalmente num estado de tédio. Agora podemos entender por que Schopenhauer disse que, aparentemente, a humanidade estava fadada a oscilar eternamente entre os dois extremos de angústia e tédio. É concreto que atualmente o tédio está causando e certamente trazendo aos psiquiatras mais problemas de que o faz a angústia. E estes problemas estão se tornando cada vez mais agudos, uma vez que o crescente processo de automação provavelmente conduzirá a um aumento enorme nas horas de lazer do trabalhador médio. Lastimável é que muitos deles não saberão o que fazer com seu tempo livre.

Pensemos, por exemplo, na “neurose dominical”, aquela espécie de depressão que acomete pessoas que se dão conta da falta de conteúdo de suas vidas quando passa o corre-corre da semana atarefada e o vazio dentro delas se torna manifesto. Não são poucos os casos de suicídio que podem ser atribuídos a este vazio existencial. Fenômenos tão difundidos como depressão, agressão e vício não podem ser entendidos se não reconhecermos o vazio existencial subjacente a eles. O mesmo é válido também para crises de aposentados e idosos.

Existem ainda diversas máscaras e disfarces sob os quais transparece o vazio existencial. Às vezes a vontade de sentido frustrada é vicariamente compensada por uma vontade de poder, incluindo a sua mais primitiva forma, que é a vontade de dinheiro. Em outros casos, o lugar da vontade de sentido frustrada é tomado pela vontade de prazer. É por isso que muitas vezes a frustração existencial acaba em compensação sexual. Podemos observar nestes casos que a libido sexual assume proporções descabidas no vácuo existencial.

Algo análogo ocorre em casos de neurose. Existem certos tipos de mecanismos retro-alimentadores e de configurações tipo círculo vicioso que ainda discutirei abaixo. Pode-se observar em casos e mais casos, entretanto, que esta sintomatologia invadiu um vácuo existencial no qual ela continua em plena florescência. No caso desses pacientes não estamos lidando com neuroses noogênicas. Entretanto, jamais conseguiremos que o paciente supere a sua condição se não suplementarmos o tratamento psicoterápico com logoterapia. Isto porque, ao se preencher o vácuo existencial, o paciente estará prevenido contra relapsos. Por isso a logoterapia é indicada não só em casos noogênicos, como foi ressaltado aqui, mas também em casos psicogênicos, e às vezes mesmo em “(pseudo) neuroses somatogênicas”. Sob esta luz se justifica uma afirmação feita certa vez por Magda B. Arnold: “Toda terapia precisa, de algum modo, por mais restrito que seja, ser também logoterapia.”

A logoterapia é ampla porque não ignora a existência da alma humana e, sobretudo, do valor da dignidade humana. Isso fica nítido quando é resgatado a questão do amor, cujo significado vem sendo sumariamente distorcido em nossos tempos:

Amor é a única maneira de captar outro ser humano no íntimo da sua personalidade. Ninguém consegue ter consciência plena da essência última de outro ser humano sem amá-lo. Por seu amor a pessoa se torna capaz de ver os traços característicos e as feições essenciais do seu amado; mais ainda, ela vê o que está potencialmente contido nele, aquilo que ainda não está, mas deveria ser realizado. Além disso, através do seu amar a pessoa que ama capacita a pessoa amada a realizar estas potencialidades. Conscientizando-a do que ela pode ser e do que deveria vir a ser, aquele que ama faz com que estas potencialidades venham a se realizar.

Na logoterapia o amor não é interpretado como mero fenômeno de impulsos e instintos no sentido de uma assim chamada sublimação. O amor é um fenômeno tão primário como o sexo. Normalmente sexo é uma modalidade de expressão do amor. O sexo se justifica e é até santificado no momento em que, porém apenas enquanto for veículo do amor. Desta forma o amor não é entendido como mero efeito colateral do sexo, e sim é entendido como um meio de expressar a experiência daquela união chamada de amor.

Marchando novamente contra os distorcidos valores da modernidade, Frankl relembra a importância da responsabilidade. Segundo a logoterapia, o ser humano deve buscar as virtudes:

Ao declarar que o ser humano é uma criatura responsável e precisa realizar o sentido potencial de sua vida, quero salientar que o verdadeiro sentido da vida deve ser descoberto no mundo, e não dentro da pessoa humana ou de sua psique, como se fosse um sistema fechado. Chamei esta característica constitutiva de “a auto-transcendência da existência humana“. Ela denota o fato de que ser humano sempre aponta e se dirige para algo ou alguém diferente de si mesmo – seja um sentido a realizar ou outro ser humano a encontrar. Quanto mais a pessoa esquecer de si mesma – dedicando-se a servir uma causa ou a amar outra pessoa – mais humana será e mais se realizará. O que se chama de autorrealização não é de modo algum um objetivo atingível, pela simples razão de que quanto mais a pessoa se esforçar, tanto mais deixará de atingi-lo. Em outras palavras, auto-realização só é possível como um efeito colateral da auto-transcendência.

Até aqui mostramos que o sentido da vida sempre se modifica, mas jamais deixa de existir. De acordo com a logoterapia, podemos descobrir este sentido na vida de três diferentes formas:
1. criando um trabalho ou praticando um ato;
2. experimentando algo ou encontrando alguém;
3. pela atitude que tomamos em relação ao sofrimento inevitável.

A primeira, o caminho da realização, é bastante óbvia. A segunda e a terceira necessitam de uma melhor elaboração.

A segunda maneira de encontrar um significado na vida é experimentando algo – como a bondade, a verdade e a beleza, experimentando a natureza e a cultura ou, ainda, experimentando outro ser humano em sua originalidade própria – amando-o.

A terceira forma de encontrar um sentido na vida é sofrendo.

Em uma sociedade cada vez mais egocêntrica, tal terapia pode parecer uma piada de mau gosto. Contudo, ela foi construída através do doloroso sofrimento que este médico passou no campo de concentração.

Confessou nesta autobiografia que muitas vezes se via imaginando falando para as palestras com objetivo de fazer avançar seu aprendizado. Conseguiu! Não apenas isso, constatou que foi fundamental para sua sobrevivência. Muitas das mortes nos campos nazistas – relatou – podem ser apontadas para o fato da alma ter “entregado os pontos”. A pessoa desistiu de lutar, desistiu de fazer cumprir aquele sentido, e colocava-se a falecer dias depois:

Na semana entre o Natal de 1944 e o Ano Novo de 1945 irrompeu uma mortandade jamais vista anteriormente no nosso campo de concentração. Também o médico-chefe foi de opinião de que as causas da mesma não estavam num agravamento das condições de trabalho ou de alimentação ou numa eventual alteração climática ou mesmo novas epidemias. Antes, a causa dessa mortandade em massa devia ser procurada exclusivamente no fato de a maioria dos prisioneiros ter se entregue à habitual e ingênua esperança de estar de volta em casa já para o Natal. Como, porém, as notícias dos jornais fossem tudo menos animadoras, ao se aproximar aquela data, os reclusos foram tomados de desânimo e decepção gerais, cuja perigosa influência sobre a capacidade de resistência dos prisioneiros se manifestou justamente também naquela mortandade em massa daquele período.

Dissemos acima que toda tentativa de restabelecer interiormente as pessoas no campo de concentração pressupõem que, consigamos orientá-los para um alvo no futuro. A divisa que necessariamente orientou todos os esforços psicoterapêuticos ou psico-higiênicos junto aos prisioneiros talvez encontre sua melhor expressão nas palavras de Nietzsche: “Quem tem por que viver agüenta quase qualquer como”. Portanto era preciso conscientizar os prisioneiros, à medida em que era dada a oportunidade, do “porquê” de sua vida, do seu alvo, para assim conseguir que eles estivessem também interiormente à altura do terrível “como” da existência presente, resistindo aos horrores do campo de concentração. E, inversamente, ai daquele que não via mais a meta diante de si em sua vida, cuja vida não tinha mais conteúdo, mas perdia o sentido de sua existência e assim todo e qualquer motivo para suportar o sofrimento. Essas pessoas perdiam a estrutura e deixavam-se cair muito cedo. A expressão típica com que replicavam a toda e qualquer palavra animadora era sempre a mesma: “Não tenho mais nada a esperar da vida”. Como se reagir a esta atitude?

Em busca do sentido faz cair por terra as ilusões da modernidade, pois evidencia que:

  • O ser humano é dotado de alma e dignidade;
  • O ser humano é dotado de liberdade;
  • Cada ser humano é único;
  • Existe o bem e mal: por mais restrição externas que se coloque sobre uma pessoa, a liberdade interior permanece e, mesmo em situação drásticas, pode-se optar pelo bem ou mal;
  • O sentido está para fora do ser humano;
  • A cura da alma passa pela busca das virtudes em detrimento do apego a desejos e símbolos baixos.
  • O mundo não é cor-de-rosa. Alguns sofrimentos e infelicidade são inevitáveis;
  • Senso de sacrifício e responsabilidade são fundamentais para saúde da alma;
  • A saúde mental está baseado em um certo grau de tensão entre aquilo que já se alcançou e aquilo que ainda se deveria alcançar, e não pelo equilíbrio;
  • O problema não está em sofrer, mas em sofrer sem sentido;
  • O vazio da alma não é preenchido com futilidades, mas com virtudes;
  • Revoltar-se contra o destino não é a solução;
  • Olhar e aprender com o passado é importante para buscar o futuro;
  • Fazer algo objeto de si mesmo, aumenta o risco de frustração, diminuindo a chance de êxito (ex: a neurose sexual – “quanto mais um homem procura demonstrar sua potência sexual, ou quanto mais a mulher tenta mostrar a sua capacidade para experimentar o orgasmo, menos chances de sucesso terão”);
  • O vácuo existencial, que faz a pessoa acreditar que o ser não tem sentido, é uma neurose coletiva de nossos tempos;
  • A doutrina do “nada mais que” é uma profecia auto-realizável: “a teoria de que o ser humano é “nada mais que” o resultado de condicionantes biológicos, psicológicos e sociológicos, ou produto da hereditariedade e do meio ambiente. Semelhante visão do ser humano faz o neurótico acreditar no que ele já tende a pensar de qualquer forma, a saber, que é um peão passivo e vítima de influências externas ou circunstâncias internas. Este fatalismo neurótico é fomentado e reforçado por uma psicoterapia que nega liberdade à pessoa humana.”;
  • A liberdade está no fato de que, apesar de fatores condicionantes, não se perde a liberdade de tomar posição frente aos condicionantes;
  • O ser humano tem a liberdade para mudar a qualquer instante; (“A base para qualquer previsão estaria constituída pelas condições biológicas, psicológicas ou sociológicas. No entanto, uma das principais características da existência humana está na capacidade de se elevar acima dessas condições, de crescer para além delas. O ser humano é capaz de mudar o mundo para melhor se possível, e de mudar a si mesmo para melhor se necessário”.);
  • A liberdade não é um fim em si mesma. Ela é “apenas o aspecto negativo do fenômeno integral cujo aspecto positivo é a responsabilidade”. Sem a responsabilidade, a liberdade transforma-se em arbitrariedade.
  • “A felicidade não pode ser buscada, ela precisa ser decorrência de algo. Deve-se ter uma razão para ‘ser feliz'”. “[...] o ser humano não é alguém em busca da felicidade, mas sim alguém em busca de uma razão para ser feliz, através – e isto é importante – da manifestação concreta do significado potencial inerente e latente numa situação dada”;
  • O “princípio do prazer” é um estraga-prazeres;
  • Quando munido de sentido, o indivíduo não só fica feliz, mas também lhe dá forças para enfrentar o sofrimento;
  • O ser humano não vive apenas de bem-estar;
  • A consciência tem a capacidade de indicar “a direção em que temos que nos mover em determinada situação da vida”. Esta situação “deve ser medida e avaliada à luz de um conjunto de critérios e uma hierarquia de valores”;
  • Por conta da bagagem de experiência que carregam, as pessoas jovens deveriam invejar as pessoas mais velhas. (“É verdade que os velhos já não têm oportunidades nem possibilidades no futuro. Mas eles tem mais do que isso. Em vez de possibilidades no futuro, eles têm realidades no passado – as potencialidades que efetivaram os sentidos que realizaram, os valores que viveram – e nada nem ninguém pode remover jamais seu patrimônio do passado.”);
  • O valor segundo o princípio de dignidade humana é superior ao princípio utilitarista, que, egoísta, só enxerga os valores em termos de utilidade.

Dentre outras coisas…

A resposta sobre o sentido da vida é particular de cada um e pode ser mudado no decorrer da vida. Muitas vezes sabemos, mas não queremos enxergá-la, não queremos refletir, não queremos pensar. Organizar as idéias e colocar um sentido é o segredo por trás da cobrança da alma para seguir na vida. Isso fica muito bem ilustrado, por exemplo, nessa passagem:

Gostaria de citar um exemplo. A mãe de um menino que morrera na idade de onze anos deu entrada em minha clínica, após uma tentativa de suicídio. O Dr. Kurt Kocourek convidou-a a participar de um grupo terapêutico. Ocorreu que em certa ocasião eu entrei na sala da clínica em que ele dirigia um psicodrama. Ela estava contando a sua história. Quando seu filho morreu, ficou sozinha com outro filho, mais velho, que era aleijado, vítima de paralisia infantil. O pobre rapaz estava preso a uma cadeira de rodas. Sua mãe, entretanto, rebelou-se contra o destino dela. Mas quando tentou o suicídio juntamente com ele, foi o filho aleijado que a impediu; ele gostava de viver! Para ele a vida continuara a ter muito sentido. Por que não se dava o mesmo com sua mãe? Como poderia a vida dela ainda ter um sentido? E como poderíamos ajudá-la a conscientizar-se disso?

Improvisando, entrei no diálogo e perguntei a outra mulher no grupo por sua idade, ao que ela respondeu: “Trinta anos”. Repliquei: “Não, você agora não está com 30 anos, mas sim com oitenta, deitada no leito da morte. E agora você olha para trás, para sua vida, uma vida sem filhos, mas plena de sucesso financeiro e prestígio social.” Convidei-a então a imaginar como ela se sentiria dentro dessa situação. “Que você acha disso? O que vai dizer para si mesma?” Vou citar o que ela realmente disse, de uma fita gravada naquela sessão: “Ah, casei com um milionário tive uma vida fácil, cheia de riqueza, e aproveitei bem! Flertei com homens, provoquei-os. Mas agora estou com oitenta anos; não tenho filhos próprios. Olhando para trás, como mulher de muita idade, não consigo ver para que foi tudo isso; na realidade preciso dizer que a minha vida foi um fracasso! ”

Convidei então a mulher que tinha o filho paralítico a se imaginar em situação idêntica, repassando a sua vida. Vejamos o que ela disse, conforme está gravado na fita: “Desejei ter filhos e este desejo me foi concedido; um menino morreu, mas o outro, o aleijado, teria sido mandado para uma instituição, se eu não tivesse ficado com ele, cuidando dele. Mesmo que ele seja aleijado e completamente dependente, não deixa de ser o meu filho. Assim eu fiz com que ele pudesse ter uma vida mais completa; fiz do meu filho uma pessoa humana melhor.” Neste ponto houve uma explosão de lágrimas, e, chorando, ela continuou: “Quanto a mim, posso encarar tranqüila a minha vida passada; porque posso dizer que minha vida foi rica em sentido e dei um duro para realizá-lo; fiz o melhor que pude – dei a meu filho o melhor. Minha vida não foi um fracasso!” Encarando sua vida passada como se estivesse no leito da morte, ela repentinamente pôde ver um sentido em sua vida, um sentido que incluía até mesmo todos os seus sofrimentos. Da mesma forma ficara igualmente claro que uma vida de pouca duração, como por exemplo, do seu filho morto, podia ser tão rica em alegria e amor a ponto de conter mais sentido que uma vida que durasse oitenta anos.

Pouco depois passei para outra questão, dirigindo-me desta vez ao grupo inteiro. Perguntei se um macaco utilizado para produzir soro contra poliomielite e que, por esta razão, fosse picado vez após vez, jamais seria capaz de captar o sentido do seu sofrimento. O grupo o negou unanimemente; pois com sua inteligência limitada ele não poderia entrar no mundo dos seres humanos, ou seja, o único mundo no qual o seu sofrimento seria inteligível. Fui em frente com a seguinte pergunta: “E como é com a pessoa humana? Vocês têm certeza de que o mundo humano é um ponto final na evolução do cosmo? Não é concebível que ainda haja outra dimensão possível, um mundo além do mundo humano? Um mundo em que a pergunta pelo sentido último do sofrimento humano encontraria uma resposta?”

Esse sentido último necessariamente excede e ultrapassa a capacidade intelectual finita do ser humano; na logoterapia falamos neste contexto de um super-sentido. O que se requer da pessoa não é aquilo que alguns filósofos existenciais ensinam, ou seja, suportar a falta de sentido da vida; o que se propõe é, antes, suportar a incapacidade de captar em termos racionais o fato, de que a vida tem um sentido incondicional. O logos é mais profundo que a lógica.

A logoterapia é um chute no estômago do materialismo moderno. Muitos aproveitam-se do estado de vazio existencial para ludibriar mentes e ferir a alma humana. Ao recuperar preceitos importantes da existência, ao relembrar de verdades que a modernidade tenta orgulhosamente ignorar ou ridicularizar, Viktor Frankl prestou um grande serviço a humanidade. Que o máximo de pessoas possíveis possam conhecê-lo. Alguém que conseguiu, como médico, concretizar o sentido de sua vida após sobreviver à traumática experiência de opressão nazista.

Em busca de Sentido não só é um arranjo de bons conhecimentos, mas também condensa uma autobiografia que é uma verdadeira lição de vida.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

#NoFap: 10 Passos para vencer a masturbação


Através de vários pedidos, tentarei resolver a este tabu entre nós. Masturbação é errada? Mostrarei algumas evidências de que é sim, é errado. E se é um erro, podemos vencê-lo.

Antes de qualquer coisa, peço-lhes atenção ao raciocínio inicial: o motivo de masturbação na maioria das vezes vem do acesso a sites pornográficos. E o acesso constante deles faz com que seu cérebro esfrie os estímulos de prazer. O desejo sexual é despertado através de uma substância chamada dopamina. A dopamina regula o núcleo da parte mais primitiva do cérebro – o circuito de recompensa.

É graças a ele que podemos experimentar prazer, mas também podemos desenvolver vícios. A dopamina surge para os estímulos: um carro novo, um lançamento no cinema, um novo eletrônico – todos nós nos tornamos apegados a algo sob dopamina. Assim como em qualquer novidade, a excitação se vai à medida que a dopamina vai se exaurindo.

Pornografia na Internet é um atiçador em especial do seu circuito de recompensa, pois os estímulos estão todos a apenas um clique. Pode ser uma “nova parceira”, uma cena incomum, um ato sexual esquisito, ou – pense você mesmo em algo -. Qualquer um pode ficar clicando por horas, experimentar muito mais estímulos em dez minutos do que quaisquer uns de nossos ancestrais puderam experimentar durante toda a vida.

E o que o cérebro faz quando se vê em um número ilimitado de estímulos, cuja quantidade é incapaz de suportar? O cérebro se adapta o que pode levar ao vício. Apesar de você talvez não perceber, você está aqui porque você tem uma resposta indiferente ao prazer. O declínio nos receptores de dopamina e outras mudanças no cérebro te transformaram em um viciado em pornografia. Trata-se de fisiologia, não moralidade. O ciclo do vício em pornografia é semelhante à de outros vícios: satisfação sob estímulo->anestesia ao prazer->busca por mais estímulo->satisfação retorna sob maior estímulo->posterior declínio nos receptores de dopamina->mais anestesia ao prazer->busca por mais estímulo->satisfação retorna sob um estímulo ainda maior...

Muitos sintomas, uma única causa. Muitas vezes os viciados em pornografia sentem uma variedade de sintomas que não conseguem associar ao uso exagerado do pornô. Alguns desses sintomas são:


1º Angústia relacionada à progressão em busca de pornografia mais pesada;
2º Impotência copulatória (Só se tem ereção com o pornô, e não com parceiros sexuais);
3º Masturbação frequente com pouca satisfação;
4º Ansiedade social severa, que vai se agravando;
5º Aumento da disfunção erétil, mesmo com pornô mais pesado;
6º Gostos mórbidos de pornô que não refletem sua orientação sexual
7º Dificuldades de concentração, inquietação excessiva;
8º Depressão, ansiedade, lapsos de memória.

E em pouco tempo você já está viciado em pornografia, pois para o seu cérebro, nada mais é tão interessante quanto o pornô.

“A questão do vício é essencial para poder diagnosticar o erro que você está cometendo.“

A masturbação é errada, porque além de ser algumas vezes um mero ato individual, impede ao menos por alguns instantes a busca e procura de mulheres. Você estimula a si mesmo, como um lixo, incapaz de conseguir conquistar uma mulher para poder fazer sexo. Perceba que você denigre a si mesmo, o seu próprio instinto natural há uma satisfação inútil.

E agora, vamos aos passos para poder curar este vício maldito.

*1º Pare imediatamente de acessar conteúdos pornográficos. Ou qualquer ponte pornográfica de informação. Se por meio deste artigo descobriu que é viciado, diminua gradativamente dia após dia.

*2º Ao tomar banho foque no banho. Para que numa eventualidade venha o desejo de se masturbar. Evite pensar em mulher nua na hora do banho.

*3º Não fantasie nada com nenhuma mulher. Não fique imaginando como ela seria nua. Não fantasie, se quer fazer alguma coisa faça.

*4º Seja desapegado. Seja desapegado ao nível de que; o pensamento sobre ou de mulher não tome conta de seus pensamentos. Utilize o seu cérebro para estudar, pensar e não para focar em mulher o dia todo. Isto é vital. Desenvolva isso.

*5º Ignore e despreze quaisquer manifestações pornográficas no dia-a-dia. Ex: seu amigo viciado em pornô que vive mostrando vídeos. Não o veja.

*6º Evite grupos de WhatsApp com putarias, ou qualquer outros grupos que circulem imagens ou vídeos pornográficos. Corte isto, imediatamente.

*7º Adicione afazeres no seu dia-a-dia. Não tenha tempo livre para fazer coisas improdutivas e desnecessárias. Estude leia algum livro! Treine, faça alguma caminhada ou algumas flexões. Tenha outras fontes de prazer, não apenas ficar no quarto de masturbando feito um cachorro sem atitude.

*8º Desenvolva o controle de si mesmo. Toda vez que você pensar em se masturbar. Pergunte a si mesmo. “Será que isso é realmente será proveitoso? Porque eu farei isso, se posso conquistar ou em situações extremas pagar uma mulher para poder fazer sexo naturalmente? Será que sou tão otário e desprezível assim?”

*9º Renuncia de si mesmo. É vital para poder vencer a masturbação a renuncia. Se é difícil, é difícil. Porém não é impossível. Renuncie dia após dia. Se você não começar este vício irá deteriorar ou prejudicar todo o seu desenvolvimento pessoal. Não se engane! Pare de mentir para si mesmo, e achar que isto é correto!

*10º E para finalizar, este quesito é fundamental. Cientes de que a masturbação atrapalha o seu desenvolvimento pessoal nos domínios natural e sobrenatural. Peça a Deus a força para poder vencer este vício que corrobora sua vida. Castidade é uma opção viável e um poderoso artifício para poder vencer a masturbação e a fornicação. Tenha como meta constante. Se falhar comece novamente. O pior será desistir da meta e voltar a ser um merda.


A vitória contra o vício da masturbação e pornografia é constante. Diária. Não é impossível. Há vários leitores que utilizaram e utilizam este método e é fato. Dá resultados.

"Sem a masturbação, torna-nos mais instintivos do que antes de conhece-la. Porque devemos buscar as mulheres, e não nos satisfazer sozinhos."

Referencias: 

#Pragmático

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Shibumismo: Internalização e Água


Agora, com mais segurança, podemos entender melhor o Método Shibumi a partir da mais famosa analogia feita por Bruce Lee:
“Não se coloque dentro de uma forma, se adapte e construa sua própria, e deixa-a expandir, como a água. Se colocarmos a água num copo, ela se torna o copo; se você colocar água numa garrafa ela se torna a garrafa. A água pode fluir ou pode colidir. Seja água, meu amigo.” (Bruce Lee, O Tao do Jeet Kune Do)

Além de dizer respeito a tudo o que já vimos até agora, essa analogia também pode ser usada para explicar a importância da internalização. Usamos a analogia da água tanto para explicar a essência do Shibumismo, como também para explicar a forma que um seguidor deve proceder, idealmente. Ou seja, internalizando-o.

Vejamos, então, os 10 passos que Bruce Lee mostra em seu livro para alcançar o que chama de “Caminho da Verdade”:

1. Busca da verdade;
2. Consciência da verdade (e sua existência);
3. Percepção da verdade (seu conteúdo e direção - com a percepção do movimento);
4. Entendimento da verdade (um filósofo de primeira linha pratica para entender - o TAO. Não para ser fragmentado , mas para ver a totalidade - Krishnamurti);
5. Vivência da verdade;
6. Domínio da verdade;
7. Esquecimento da verdade;
8. Esquecimento do portador da verdade;
9. Retorno a fonte original (onde a verdade tem suas raízes);
10. DESCANSO NO NADA...
Temos nesses 10 passos o roteiro da internalização. Buscamos a verdade, ainda que, no começo, sem total consciência de sua existência. Com o tempo, vamos nos tornando conscientes de que há, de fato, uma verdade. Continuamos nossa busca e, com isso, vamos nos aproximando da verdade, o que nos permite percebê-la. Agora, passamos para a prática da verdade, que é essencial para seu entendimento. Ainda há, porém, um grande abismo entre prática e vivência. Ainda há mecanizações na prática, enquanto a vivência já permite alguma fluidez. Na prática, começamos a explorar as estradas que levam ao domínio. Na vivência, já caminhamos com total familiaridade nessa estrada. Ela se torna tão familiar que não precisamos mais nos esforçar para nos mantermos em uma direção correta. Tudo se torna automático. Quanto mais vivemos, mais dominamos. Agora, com o domínio, podemos esquecer, tendo a segurança de que não nos perderemos mais. Nos desapegamos conscientemente da verdade e de sua estrada. Não precisamos mais de um esforço consciente. A verdade se torna parte de nós. Somos agora capazes de retornar às raízes com um entendimento verdadeiro das mesmas e de suas ramificações. Descansamos, enfim, no vazio. Não há mais a necessidade de “forçar”. O que buscamos já é parte de nós.

Entendemos agora que a verdade humana não é necessariamente uma verdade. Homens são falhos. Somente Deus é perfeito. Entendemos que não existem verdades absolutas justamente porque existe uma única verdade absoluta. Nos desapegamos conscientemente da verdade falha dos homens, para nos apegarmos inconscientemente à Verdade única e absoluta. Deixamos de lado o apego a regras Shibumistas para podermos buscar honestamente a Filosofia Shibumista. Nos livramos de uma vez por toda de mecanizações para, finalmente, alcançarmos a internalização.

É justamente isso que significa “esquecer a verdade”. Ao acreditar tão fortemente em alguma coisa, a ponto de tomá-la como uma verdade universal, somos incapazes de nos abrir para outras verdades. Acabamos numa rua de duas vias, ambas sem saída: Ou nos tornamos incapazes de aceitar a verdade ou, pior ainda, passamos a relativizar a verdade para tentar adequá-la àquela falsa verdade que temos como absoluta. Por isso a necessidade do esquecimento da verdade e da capacidade de internalização. Há um ditado que diz que nunca encontramos nada quando estamos procurando.

Já percebeu que muitas vezes não encontramos o que procuramos? É justamente quando já desistimos de procurar que aparece. É aí que, quando menos esperamos e, muitas vezes, até já esquecemos que estávamos procurando, aquilo aparece, de repente, na nossa frente.

Vejamos um exemplo:

Você conhece uma filosofia, estuda-a, faz o possível para dominar suas teorias, decora toda a obra de seus autores e se torna uma espécie de erudito. E aí, quando pensa que está pronto, começa a errar cada vez mais. Se preocupa tanto com o sistema e suas teorias, que passa a polarizar tudo. Se torna aquilo que poderíamos chamar de "mula filosófica”, agindo como um robô, levando tudo ao pé da letra, repetindo frases enlatadas que decorou lendo livros, blogs e fóruns. O que você está fazendo aqui é justamente o oposto da internalização. Está apenas simulando um comportamento.

Isso ocorre devido ao apego a um sistema. Ao se esforçar tanto para seguir uma cartilha que tomou por verdade absoluta, você deixa de lado sua própria individualidade e passa a ser somente a caricatura de um perfil idealizado.

Para ser natural é necessário “esquecer a verdade”, ou seja, se desapegar de sistemas e teorias. A preocupação leva ao nervosismo. Você não só deixa de ser você mesmo, como também se torna ainda mais inseguro, exigindo de si mesmo algo que não deve ser. A única saída é a internalização. Só dessa forma você é capaz de agir naturalmente. Aquela filosofia, então, passa a ser parte de seu ser, uma extensão de seu próprio corpo.

Tome como exemplo o processo de aprendizado de uma arte marcial: Você aprende os movimentos. Se está iniciando na arte, levará um tempo para conseguir liberar um soco ou um chute. É natural que um iniciante pense antes de golpear: “Vou dar um soco... Será que agora devo chutar?”. Aos poucos, com a prática, esses movimentos passam a ter maior fluidez, até que, finalmente, comecem a sair naturalmente, se tornando parte de você, fluindo de dentro para fora, sem necessidade de esforço e pensamento. É aqui que você esquece, se desapega. Agora, o artista e seus movimentos são um só.

Podemos comparar o fluxo do Shibumismo com o movimento das águas. Somos capazes de perceber que há dois tipos de movimentações. A do Shibumismo em si e, também, daqueles que seguem o Shibumismo. Essa fluidez, como já vimos, é necessária por três motivos:

1. Crescimento pessoal do seguidor do Shibumismo
2. Desenvolvimento constante do próprio Shibumismo
3. Comprometimento do Shibumismo com a verdade

Como também vimos, há uma forte ligação entre o segundo e o terceiro. É comum que haja uma confusão com a ideia de abertura, já que vivemos numa época onde “abrir a cabeça” se tornou apenas uma desculpa para relativismo moral. Pode ser que, à princípio, essa confusão pareça ainda maior, já que, ao contrário das crenças modernas, vemos que, para o Shibumismo, abertura significa justamente uma forma de luta contra relativismos.

Quanto ao crescimento pessoal daqueles que seguem o Shibumismo, é importante entender que ser como a água é justamente o oposto da mecanização, ou seja, a internalização. Ser como a água não é simplesmente a ideia de manter a cabeça aberta para qualquer coisa. Para um indivíduo ser como a água, ele deve ser capaz de se expressar naturalmente, de forma fluída. Por isso a importância da internalização. Não há fluidez na mecanização. Não se atinge a fluidez por meio da força. A prática é importante para o domínio. Como já dizia Bruce Lee, um homem que treinou um soco por dia durante mil dias está mais preparado que um homem que treinou mil socos uma única vez na vida. Não basta somente a prática. É necessário torná-la um hábito. Torne-a parte de sua vida e logo será capaz de tornar aquilo parte de seu ser. Só assim poderá alcançar a fluidez, ou seja, a internalização.

Um exemplo que podemos tomar das artes marciais é o da diferença entre o treino e o combate. Quando você inicia seus treinamentos, há um esforço consciente pela técnica. O iniciante pensa antes de se mover. Sendo consciente, há um atraso em suas expressões. Elas ainda não são naturais. Como poderia ele entrar em um combate dessa forma? Seria um desastre! Com alguma prática ele é até capaz de alcançar uma boa técnica em seus movimentos. Mas, ainda sem a internalização, esses movimentos não são naturais. É como uma pessoa que aprende a dirigir: Ainda na auto-escola ela é capaz de dirigir bem, tecnicamente, fazer uma excelente baliza e passar no exame com uma pontuação perfeita. Ele tem as técnicas, mas ainda não tem o reflexo e segurança necessária. Solte-o na estrada e ele provavelmente cometerá muitos erros. Ele é tecnicamente um bom motorista, mas não é capaz de dirigir naturalmente. Tudo ainda é forçado.

Convido-o agora à refletir sobre as seguintes citações:

“Esvazie sua xícara primeiro, só então você poderá provar meu chá. Afinal de contas a utilidade da xícara está em poder esvaziar-se. Abra sua mente para receber novas idéias.” (Bruce Lee)
"Não seja tão mente aberta, pois seu cérebro pode cair para fora..." (G. K. Chesterton)

Uma análise superficial pode dar a idéia de que ambas se opõem. É perfeitamente normal que se tenha essa primeira impressão. Porém, uma reflexão mais aprofundada nos permite entender que, na verdade, ambas se complementam. Essa complementação resume perfeitamente o que vimos até agora sobre o equilíbrio entre o caráter fásico do Shibumismo e seu comprometimento com a busca da Verdade.

Infelizmente, é comum que haja hoje uma confusão entre ter uma mente aberta e relativismo. Ao formular suas teorias sobre o Jeet Kune Do, Bruce Lee não teve a intenção de aplicar algum tipo de relativismo nas artes marciais. Da mesma forma, Chesterton, ao nos alertar sobre o perigo de ser “tão mente aberta”, não estava dizendo para sermos inflexíveis. Ambos os pensadores entendiam a importância do equilíbrio e era justamente isso que estavam enfatizando.

Um bom exemplo disso seria uma comparação entre o Jeet Kune Do de Bruce Lee e o MMA (Mixed Martial Arts). O MMA, como já diz o nome, é uma modalidade que permite a “mistura” de artes marciais. Normalmente, um lutador de MMA conhece mais de um estilo. Um exemplo são os lutadores que praticam Jiu-Jitsu e Muay Thai. Eles conhecem e treinam ambos os estilos. Porém, não é uma arte marcial. É simplesmente um conhecimento em duas ou mais artes marciais completas. Já o Jeet Kune Do, não é uma mistura de estilos, mas uma arte que pode abranger movimentos de diversos estilos. Enquanto o lutador de MMA pratica mais de um estilo, em sua forma clássica, com seus pontos fortes e pontos fracos, o lutador de Jeet Kune Do não prática nenhum estilo. Na verdade, ele busca incorporar as vantagens de outros estilos em sua luta, enquanto se livra das desvantagens. Enquanto o MMA é basicamente uma mistura de estilos, o Jeet Kune Do pode ser visto como uma filtragem. O Jeet Kune Do não busca a quantidade, mas a qualidade. Como já dizia Bruce Lee, “não é um acrescimo diário, mas, sim, um descrescimo diário”. Há todo um processo de reflexão filosófica. E isso pode ser visto justamente nas citações acima. A mente se abre para novas ideias, mas se mantém alerta para impedir que as ruins entrem.

O indivíduo mecanizado cai facilmente na confusão entre mente aberta e relativismo por estar completamente focado na forma. Além de agir como um robô, ainda não é capaz de fazer uma filtragem. Ou acaba negando tudo, se estagnado no tradicionalismo, ou acaba aceitando tudo e caindo no relativismo. Esses são efeitos secundários deste foco com a forma. Ao manter o foco somente na forma, se torna cego para o conteúdo. Dessa maneira, se avilta ou se deslumbra facilmente, negando ou aceitando as coisas por completo após uma análise superficial, sem realmente conhecer ou entender seu conteúdo. Ou nega tudo aquilo que, à primeira vista, não lhe agrade, ou aceita tudo aquilo que lhe impressione de primeira. Em ambos os casos, é comum que acabe criando uma tremenda confusão mental apenas para poder lidar com todas contradições que encontrou entre o antigo e o novo. Confusões que servem como uma anestesia para a mente nos casos em que decide ignorar o novo por não aceitar que há erros no antigo, e nos casos em que sente a necessidade de aceitar os erros do novo quando são claramente demonstrados pelo antigo. Assim, tanto o modernista quanto o tradicionalista, caem no relativismo.

#Lawlyet

sábado, 24 de maio de 2014

Sobre o caráter fásico do Shibumismo



O Shibumismo, ao contrário de tantas outras filosofias, ideologias e movimentos, não é estático. Sendo uma idéia viva, seu caráter é plenamente fásico. Não é estática como um objeto morto e inanimado, mas dinâmica, sempre se transformando. Porém, há uma ordem dentro dessa transformação. Ele não sofre uma mutação repentina, como num passe de mágica. Não se transforma, da noite para o dia, em algo totalmente diferente daquilo que é. Sua contínua transformação se dá por fases. É uma verdadeira evolução que ocorre em doses homeopáticas, respeitando sua própria natureza. Como uma larva que se transforma em borboleta, não em ornitorrinco.

Apesar disso, alguns poderiam vê-lo como algo estático. Outros, poderiam pensar que é fásico pelo simples fato de seus adeptos estarem em constante busca do próprio crescimento. Porém, estarmos, como pessoas, em evolução constante, não explica o caráter fásico do Shibumismo.

Podemos traçar um paralelo com as artes marciais. Veja, por exemplo, artes tradicionais como Karate, Kung Fu, Judo, Jiu-Jitsu, Muay-Thai, Tae-kwon-do e várias outras. O que elas tem em comum é o fato de que praticamente todas são estáticas.

Não podemos negar que o artista marcial está em constante evolução em sua arte. Ele treina constantemente, se aprimorando de diversas formas. Porém, aquela arte continua a mesma. As raízes daquela arte são imutáveis. Mesmo que seus socos e chutes sofram algum tipo de mudança com o passar do tempo ou entre as ramificações daquela arte, sua essência continua sendo a mesma. Tanto em suas vantagens quanto em suas desvantagens.

No livro O Tao do Jeet Kune Do, onde expõe os princípios de sua filosofia e arte marcial, Bruce Lee crítica justamente essa rigidez das artes marciais clássicas, lembrando que o homem está sempre acima de qualquer sistema.

O raciocínio aqui é o mais simples possível: sistemas são criados por homens; Nenhum homem é perfeito; Logo, não existe sistema perfeito. Porém, é da natureza do homem buscar a perfeição. Mesmo sabendo que jamais poderemos alcançar, somos sempre atraídos pela perfeição. Isso explica perfeitamente a contínua insatisfação do ser humano. Desejamos e, mesmo que consigamos, continuamos a desejar. Em um momento você deseja muito um carro, por exemplo, e acredita que estará feliz quando conseguir comprá-lo. Então, finalmente, você consegue. Passa um tempo e você se vê novamente insatisfeito. Você já deseja mais alguma coisa. E isso nunca acaba. O carro, é claro, é apenas um exemplo. Você pode desejar outras coisas. Pode ser material, pode ser abstrato, tanto faz. O que acontece é que nunca estamos satisfeitos justamente porque temos essa tendência de buscar a perfeição inalcançável. Porém, o que importa aqui é o fato de que, mesmo que seja inalcançável, continuamos a caminhada. Mesmo imperfeitos buscamos a perfeição. Criamos sistemas, buscando sempre o melhor. Apesar disso, como homens e, portanto, imperfeitos, somos incapazes de de criar um sistema perfeito, nos contentando somente com a possibilidade de aperfeiçoá-lo constantemente.

Por mais que um gênio seja capaz de criar uma obra genial, ela não pode ser perfeita. A proximidade da perfeição ainda não significa a perfeição e, sendo ainda imperfeita, só restam duas alternativas: Deixá-la como está ou aperfeiçoá-la, sabendo que existe um risco dessas mudanças não serem para melhor. Independentemente do gênio concluir sua magnífica obra ou deixá-la inacabada, as pessoas recearão tocá-la. Seja pela magnitude da obra, seja pela reputação do gênio, as pessoas passarão a ver a obra como uma coisa sacrossanta. Qualquer tentativa de aperfeiçoamento será vista como uma heresia. É justamente aí que se encontra o prelúdio do erro. A criação se torna maior que o criador. Sistemas passam a ser considerados mais importantes que homens.

Mas a grande obra continua inalterada. Tem uma certa proximidade com a perfeição, mas não está mais caminhando em sua direção. Ao ser separada do gênio criador, essa obra se congela com suas perfeições e, também, com suas imperfeições. E os próximos homens que virão? Serão considerados indignos de tocá-la. Mas, apesar desses sistemas estagnados não poderem mais ser tocados pelos homens, eles continuarão tocando os homens. Agora o homem já não é mais o criador que modela suas obras. Chegamos no ponto onde o homem passa a ser modelado pelas obras.

Essa realidade não se limita somente às artes marciais. Vemos o mesmo padrão em todo tipo de ideologia, movimento, filosofia etc. O homem é capaz de evoluir dentro do sistema, mas o sistema continua imutável. A transformação do homem segue completamente ligada a todos os erros e limitações do sistema, até o ponto onde não há mais caminho para percorrer, pois aquele sistema imutável tem um limite.

Existe um achismo que permeia a maioria das pessoas, fazendo-as acreditar que nenhuma filosofia é estática. Que todas estão em constante transformação. Isso se deve ao simples fato da filosofia ter como objetivo a busca pela verdade, como o próprio termo já mostra (do grego: Filo = Amor, Sofia = Sabedoria). Porém, existe uma diferença entre “a filosofia” e “alguma filosofia”. Métodos filosóficos podem ser usados na criação de algum tipo de filosofia, porém, isso não significa que essa filosofia criada continuará se transformando. Como tudo, independentemente do grau de aproximação com a verdade, muitas param em algum ponto, se tornando mais um sistema intocável.

Com isso em mente, Bruce Lee foi capaz de definir sua filosofia e arte marcial, o Jeet Kune Do, como uma “arte sem forma”:

“O Jeet Kune Do favorece a falta de forma para que possa assumir todas as formas. E, já que não possui estilo, pode combinar com todos os estilos. Como resultado, o Jeet Kune Do utiliza todos os caminhos e não é limitado por nenhum deles. Da mesma forma, utiliza quaisquer técnicas ou meios que sirvam à sua finalidade.” (Bruce Lee, O Tao do Jeet Kune Do, página 26, Conrad Editora, Edição de 2003)

Temos, na frase acima, fundamentados alguns dos alicerces da filosofia de Bruce Lee. Favorecer a “falta de forma” significa justamente não se prender a sistemas. É importante salientar que essa ideia de adaptação, flexibilidade, não significa relativismo. Ao criticar sistemas, apontando suas formas imperfeitas e demonstrando que é justamente sua rigidez que impede quaisquer correções, não estou negando a verdade. Pelo contrário: estou justamente reforçando o fato de que a verdade é imutável, perfeita. Se a verdade, assim como a perfeição, não fosse imutável, não seria verdade. Sistemas são criados pelo homem, mas a verdade, única, perfeita e absoluta, já existe antes do homem. A verdadeira filosofia, busca essa verdade de forma honesta e sem relativismos.

Da mesma forma, a tarefa do Shibumismo é essa busca da verdade. Sabendo que não existem meias verdades, somos obrigados a entender que uma coisa só pode ser verdadeira por completo. O Shibumismo se adapta justamente para encontrar uma verdade completa. Sua flexibilidade só serve a um único objetivo: a busca da absoluta verdade. O que para muitos pode parecer uma espécie de "Paradoxo do Shibumismo" é muito bem elucidado por Chesterton:

“Tentei criar uma nova heresia; mas quando já lhe aplicava os últimos remates descobri que era apenas a ortodoxia” (G. K. Chesterton, Ortodoxia)

Nesta pequena citação, temos sintetizado tudo o que já foi dito até aqui. Filosofias convencionais costumam se apegar fortemente aos seus próprios cânones, considerando qualquer tentativa de mudança em seu corpo uma heresia. Devido a essa necessidade de manterem suas filosofias intactas, seus seguidores passam a se valer, muitas vezes inconscientemente, de RELATIVISMOS. A filosofia em si não muda, mas suas conclusões sofrem com a ação do tempo. Seus seguidores passam a se valer de relativismos simplesmente para que suas filosofias se mantenham imaculadas. Passam a fugir da verdade e, caso a verdade passe a persegui-los, se esforçam para distorcê-la. Já chegaram ao ponto desesperador em que a distorção da verdade é mais confortável que a revisão dos erros de suas filosofias. Com essa incapacidade de lidar com a verdade, também vem a incapacidade de refletir e, sendo incapazes de trabalhar com as várias contradições surgentes, encontram conforto no relativismo, chegando aos poucos (e sem que se dêem conta) à esquizofrenia.

Essa esquizofrenia, tão onipresente na esquerda, pode ser presenciada em diversas ocasiões, como, por exemplo, uma simples discussão com uma feminista. Proponho um pequeno exercício. Inicie um debate com uma feminista (ou qualquer outro militante de algum movimento de esquerda, como o gayzismo, ateísmo etc) e observe suas reações ao ser confrontada com a verdade. Devido ao apego com os dogmas de sua ideologia, preferirão distorcer a própria verdade, se valendo de falácias relativistas. É justamente aí que você receberá ataques ad hominem, verá falácias de apelo à autoridade, o velho papo furado de que “não existe certo ou errado” e que “o que é errado para um pode ser certo para outro”. Os próprios ataques direcionados à sua pessoa nada mais são do que uma desculpa que encontram para eles mesmos não perderem a fé em suas ideologias tortas. Na incapacidade de lidar com a verdade, atacam o portador da verdade. Lançar dúvidas sobre o caráter do mensageiro é uma das formas mais eficazes de não acreditar na mensagem. Sendo tão capaz de desmoronar facilmente os frágeis castelos de cartas construídos por suas ideologias falaciosas, a verdade passa a ser um pesadelo onipresente na vida dessas pessoas. Seus discursos politicamente corretos de luta contra o preconceito nada mais são do que uma tática de auto-ilusão, uma forma inconsciente de lidar com a verdade ameaçadora. Tamanho é o poder que essas ideologias exercem sobre seus seguidores, que passa a ser preferível a negação da realidade ao desapego de seus dogmas. Para essas pessoas, não há nada mais aterrorizante que a ideia de que suas vidas foram dedicadas a uma mentira.

A famosa citação de Chesterton pode servir muito bem como um alerta para esse tipo de armadilha. Muitas vezes, ao tentar corrigir um erro, você será tratado como um herege. A verdade, porém, é que é bem provável que seja justamente essa “heresia” a única forma de se alcançar uma ortodoxia. Seremos considerados hereges ao tentar corrigir erros pelo amor à verdade, enquanto os considerados ortodoxos, por respeitarem seus sistemas ao ponto de manterem imaculados seus erros, serão justamente os que só encontrarão saída na prostituição da verdade. É importante, portanto, expor os perigos do relativismo para não cairmos em armadilhas ao tratar do caráter fásico do Shibumismo.

#Lawlyet 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Aeróbico em Jejum

O aeróbico em jejum é uma estratégia para a queima de gordura no corpo .

Essa estratégia é tão eficiente pelo fato de que se o individuo esta em jejum de varias horas seu corpo estará com os níveis de glicogênio (glicogênio = energia, açúcar , carboidrato ) em baixa , assim o corpo é obrigado a ir buscar energia nos depósitos de gordura, assim usar a gordura como fonte de energia para completar a atividade.

O aeróbico em jejum normalmente é feito pela manha ao acordar com intuito de que o individuo esteja em jejum de 8 horas; ao acordar é recomendado que se tome alguns mililitros de água para prevenir a desidratação , para maior eficiência do AEJ pode se utilizar algum termogênico (termogênico = café , chá verde água gelada guaraná em pó) , o café é o de mais fácil acesso para a maioria dos indivíduos . uma xícara antes do age pode estimular mais ainda a lipólise (lipólise = queima de gordura no corpo).

Para evitar o catabolismo proteico (catabolismo proteico é a perca de massa muscular) recomenda se usar aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA). 

É indicado que se inicie a pratica com 10 minutos diários, e que o individuo adicione 2 ou 3 minutos a cada vez que for fazer a atividade ate chegar em 40 minutos de AEJ . Outro horário que se classifica como eficaz na perca de gordura seria após o treino com pesos (depois que o cara acabou seu treino de musculação na academia); no caso o individuo já teria gastado seu glicogênio no treino com pesos , e logo após de conclui-lo fazer ia uma atividade aeróbica (correr na esteira , bike ou algo do tipo) , fazendo seu corpo ter que utilizar a gordura para o restante da atividade . 

#Carlos. R