
A ideia inicial do shibumismo era a de criar uma filosofia da Real, isto é, uma abertura de pensamento para correção dos erros da ideologia realista. Os principais problemas observados eram as bases conflitantes de Nessahan Alita e a base cristã do que viria a se tornar o shibumismo.
Nessahan Alita e a Real tem suas bases no desapego, frieza, desapaixonamento, morte do ego por parte dos homem e ideia de lado obscuro feminino. Os problemas dessa estrutura é a base gnóstica, conforme o explicado por Eric Voegelin em "Science, Politics and Gnosticism".
A base nessahânica é limitada e isso é um limitante para a própria Real. A base principal é a redução dos homens e mulheres ao determinismo biológico, uma tendência frequente no mundo moderno em comparar homens a animais. Na Real, no caso, o homem é comparado aos machos alfas e as mulheres às fêmeas a serem fecundadas, tal qual os biologistas classificam os animais dentro de seus bandos. Essa é uma das principais tendências dos intelectuais modernos, em reduzir o humano ao animalesco, esquecendo de suas características espirituais.
Com o ser humano reduzido ao seu caráter mais animalesco e entregue aos instintos e à busca de sobrevivência dos mais fortes, o shibumismo tenta resgatar o caráter humano dos próprios homens através da melhoria total do homem, aliando-se o crescimento pessoal integrado, a saber, espiritual/físico/emocional.
Já foi até mesmo mencionado que o principal papel da Real deveria ser a busca da verdade, porém encontrou-se alguma resistência quanto a isso, assim o shibumismo, de base cristã católica traz a Verdade como seu pilar principal, não há meio termo, tampouco adequação da filosofia shibumista ao que bem entender o sujeito que participe do shibumismo, é preciso que o membro siga fielmente as bases cristãs para que obtenha todos os ganhos em seu crescimento pessoal.
A principal meta da Real atualmente é desmascarar o lado obscuro feminino, para isso seus membros passam o dia discutindo o que se encontra de pior na sociedade no que tange ao caráter feminino. O principal padrão de feminilidade, se é que é possível chamá-lo assim, é o padrão da mulher traiçoeira, da mulher promíscua, que faz do companheiro uma carteira ambulante.
Várias são as discussões diárias que se encontram nesses redutos, que vão desde homens se suicidando por paixão (algo que aparenta ser corriqueiro), até mulheres feministas radicais, promíscuas, mulheres com o menor nível moral possível e mundanas ao extremo.
Pouco se vê a respeito de discussões sobre mulheres que seriam adequadas para relacionamentos e quando se vê algo do tipo geralmente é o besteirol que "a mulher deve ser uma dama na sociedade e uma puta na cama", isto é, oferecer sexo à vontade, ao mesmo tempo em que é uma mulher recatada, com preceitos cristãos, familiar e capaz de educar bem os filhos. Isso é claramente ilógico, visto que não é possível encontrar tal pessoa que tenha sua característica espiritual e emocional fortemente desenvolvidas se a pessoa está entregue aos vícios da luxúria.
As discussões sobre assuntos masculinos ganham algum destaque, mas pouco perto do preconizado por um membro bem conhecido por sua frase lapidar: "Reergam os sexo masculino." Pois bem, e no que consistiria os homens reerguer o sexo masculino? Consiste em falarem de assuntos que sejam assuntos masculinos como esportes, trabalho, carros, política, religião, piadas, livros, cigarros, bebidas, pesca, família, negócios, profissão, trocar informações que sejam de relevância.
No entanto o que se observa? Que grande parte desses homens, até mesmo muitos dos realistas, como se é possível notar nos fóruns, blogs e incluso nos podcasts de EdRs (encontros da Real), o assunto orbita ao redor de mulheres: seja sobre relacionamentos, ou mulheres que os confrades estão marmitando, GPs (garotas de programa), assuntos familiares em que a mulher é a peça-chave do causo, mulheres atuais e aumento da promiscuidade.
O que se observa é que grande parte dos homens ao tentarem reerguer o sexo masculino escolheram o caminho errado e perderam o foco principal que é o homem, o qual não está nesse mundo somente pelos relacionamentos com o sexo feminino.
Tentando fugir da "matrix" e do maginismo eles acabam falando quase em todo seu tempo daquilo que é o assunto que tanto criticam no homem comum não conhecedor da Real: mulher.
Nesse meio em que o assunto predominante são os seres do sexo feminino, claramente se observa que o intuito maior quando se fala em crescimento pessoal, é que esse crescimento proporcione como consequência mulheres. Dessa forma grande parte do desenvolvimento pessoal de muitos realistas fica fora de foco, desistências são comuns, assim como o desânimo, diminuição da auto-estima com o passar dos anos e a limitação dos próprios objetivos com a vida de muitos homens se restringindo somente aos ganhos materiais e quando muito aos ganhos materiais e desenvolvimento físico.
Poucos são os membros que se dedicam a aliar crescimento emocional/físico/espiritual. A grande maioria cai no que pode ser chamado de crescimento pessoal medíocre, isto é, crescimento limitado.
Geralmente é aquilo que grande parte dos homens já fazem mesmo sem conhecer a Real: prática de musculação/esportes, cursos e graduações, algum curso de língua estrangeira e geralmente a coisa se restringe a isso, a vida normal de grande parte dos homens atuais. Isso cria dois problemas, na ideia do realista o mundo parece agir contra ele e ele parece crescer pouco em relação ao ideal individual preconizado.
Há nos homens a necessidade de destaque perante aos demais e à sociedade de um modo geral, de tornarem-se importantes, influentes e no caso de muitos como principal serem notados pelas mulheres e desejados por elas ao invés dos homens ao seu redor. Com essa busca de diferenciação limitada ao que quase todos fazem o realista dificilmente se destaca da multidão. O muito que se consegue é algumas "marmitas", sexo casual ou algum dinheiro para pagar garotas de programa.
A minoria que tem relacionamento sério tende a agir friamente no relacionamento, surtar na busca por "joguinhos" da namorada e no caso dos casados ficarem com o rabo preso temendo que a própria mulher o largue e este tenha de viver por 18 longos anos pagando pensão.
Essas são algumas consequências da Real e dos indivíduos a adaptarem aos seus próprios modos, não há algo a seguir, algo comprovadamente que funcione, é na grande maioria um grande jogo de erros e acertos em que se obtém experiência (chama-se de internalização) conforme o homem apreende os conceitos e os consegue moldá-los para uso próprio no seu dia a dia.
Pra alguns funciona, pra outros nem tanto. Pra esses últimos geralmente as reclamações e papo-furado a respeito de mulher só aumentam no decorrer do tempo chegando ao ponto do homem desistir de casamento, constituição de família ou mesmo de relacionamento sério.
O diferencial do shibumismo é justamente aliar o crescimento físico/emocional e espiritual. O que sustenta o homem é principalmente seu espiritual em ordem, por isso mesmo são necessárias as leituras e entendimento das bases shibumistas de Chesterton; do Pe. Paulo Ricardo e demais autores cristãos e católicos para que o homem ordene seu centro ao mesmo tempo que ordena as demais áreas da própria vida e seu emocional. Isso é totalmente ao contrário da Real com as bases nessahânicas onde o homem precisa reprimir seus sentimentos, se fechar do mundo como se todos quisessem lhe passar a perna e tender seu caráter a obter o desenvolvimento material a todo o custo para tornar-se completamente independente do mundo (isso lembra muito a doutrinação feminista dada às moças para que essas criem a própria vida, trabalhem pra se sustentar e não depender do marido).
A frieza aqui é justamente uma fuga e não há outra palavra para defini-la, na busca por um auto-controle forçado o realista anula muito de sua humanidade e entra numa espiral de emoções desordenadas tendendo ao rancor pelo mundo e ódio pelos seus sonhos de matrixiano (casamento, filhos, família) que aliado com a "realidade" propagada nos fóruns de que toda mulher é perversa e vadia até que se prove o contrário prende esses homens em uma estrutura comportamental e emocional de realidade que torna as relações humanas superficiais, levando a algo quase que próximo do animalismo propagado pelos intelectuais modernos.
É como nos filmes atuais em que os seres humanos são associados a algo medíocre, em que a humanidade é relacionada ao medo e que só quem pode salvar aos humanos é alguém sobre-humano como um X-Men, um vampiro, o Homem-Aranha. Da mesma forma na Real só quem pode salvar o realista é o perfil masculino ideal e quem o conhece e o inventou, o escritor Nessahan Alita.
Se o homem polariza na frieza ele deixa de ser homem. O próprio blogueiro que buscava reerguer o sexo masculino era muito mais humano que a maioria dos realistas atuais. Nele era possível ver seus traços de indignação mas ao mesmo tempo era alguém que tinha humor e que buscava auxiliar aos demais rebaixando a si mesmo e criando um próprio personagem medíocre de si próprio para que com esse humor ele conseguisse a atenção do leitor para o que desejava, que o homem se dedicasse aos assuntos dos homens e não somente à mulheres.
O erro de muitos dos realistas é que não souberam interpretar naquela época a realidade do personagem e ao invés de lutarem pra irem em busca de sua humanidade resolveram vestir a roupa do personagem silviresco todos os dias de sua vida e tal qual um Dom Quixote saem pelo mundo se sentindo uns bostas, incapazes e os seres mais ridicularizados pelas pessoas que os envolvem. Buscando fugir da ridicularização passaram a viver o personagem peludo, rude, feio e viril, animalesco ao invés de se tornarem homens e buscarem o respeito dos demais pelos seus próprios méritos e pelo seu sucesso, que como diz o Doutrina, é a verdadeira vingança do homem honrado.
Mas para ser honrado é preciso primeiramente ser bom, bom primeiramente consigo e mesmo e posteriormente com os demais que convivem com eles. Deixar de lado o personagem "reclamão" e chorão que servia de alerta aos paspalhos e se tornar um homem de fato.
O que se vê nos fóruns é esse choro, esse rebaixamento, esse vitimismo perante o mundo mau e sufocante de seus imaginários, e que mesmo perante toda a sorte de legislações estapafúrdias; tentativas de fazer minorias prevalecerem em relação à maior parte da população e frustração a respeito da política e das instituições ainda é capaz de dar oportunidades a homens que realmente se dedicam aos seus afazeres e que reerguem a si mesmos por suas próprias forças, vontades e méritos.
Algo bem diferente do recorte de realidade presente nos fóruns, o recorte midiático do mundo humano de atrocidades das tribunas do país em que se apertarmos um jornal que trazem a nós todos os dias essas notícias escabrosas e apelativas que parecem tentar tirar nossa firmeza espiritual e capacidade de controle emocional buscam desestabilizar cada um de nós, tanto homens como mulheres, pra que adotemos tais posturas dotadas de raiva, do vazio e da frieza que tanto os que buscam controlar e ter poder sobre tudo no mundo querem de nós.
Esse isolamento numa realidade própria, com despejo de recortes de realidade levam à formação de um filtro em que cada acontecimento ou observação passa primeiro por ele antes de uma análise mais aprofundada a respeito do acontecimento. O filtro retém muito e passa somente o que o individuo quer enxergar, passa somente aquilo que Luciano Ayan chama de frames.
E esses frames, as tais palavras-gatilho acertam em cheio a mente do indivíduo o levando a um comportamento e resposta automatizada que foi formado ao longo de vários anos de aprofundamento em uma realidade específica e isolada do mundo real.
Hoje em dia é assim com todos os lados quando se observam ideologias tais como: ateísmo; feminismo; realistas; conservadores; direitistas; socialistas; gayzistas; liberais econômicos e demais que tenham sua ideologia voltada ao mundo material e quanto mais obstinada a busca por mudança no mundo, de modo a tornar o mundo um paraíso celeste, mais forte a resposta de indignação do sujeito, na maioria das vezes tendendo para a raiva súbita e o ataque desproporcional e direto contra as ideias do oponente.
Como dizia Nelson Rodrigues: "Amar a humanidade é fácil. Difícil é amar o próximo." E é exatamente isso que se vê quando alguém quer mudar o mundo conforma as ideias da própria mente, julgando que o ideal é que todos sejam como ele deseja.
É isso o próprio super-homem nietzschiano em sua forma maior, assim observa-se que a salvação para os direitistas é um mundo comandado por um Reagan; pros esquerdistas por um Marx; pela Real é todo homem ser realista; para as feministas que todas as mulheres terem poder e que só isso é o principal para uma mulher; para os gayzistas eles poderem fazer o que quiserem de baixarias mesmo que isso desrespeite aos demais, vá contra as crenças religiosas da maioria ou mesmo que vá contra os dogmas da religião tentando impor isso acima das doutrinas e valores seculares construídas pelas religiões; para os liberalistas econômicos a solução é que o livre-mercado (materialismo) salvará o mundo; para os ateístas que todos tornem-se medíocres e obtenham a desejada aridez espiritual e a ideia que tudo acaba aqui, portanto é melhor curtir a vida e viver cada dia como se fosse o último, como um louco tentando correr de fórmula 1 numa estrada de terra.
Somente os cristãos sabem (e uso esse termo devido à solidez dos ensinamentos da Igreja Católica) que esse mundo aqui é algo passageiro e se pode obter coisas maiores. Esses são os principais motivos do shibumismo ter em sua base o cristianismo e buscar repassar isso a seus membros com a melhor qualidade possível, de modo lento mas ao mesmo tempo grandioso pois queremos construir algo perene e que eleve o homem como um todo e não somente em seus aspectos materiais ou meramente mundanos. Tornar o homem verdadeiramente homem e não somente um rascunho de suas próprias vontades.
#João Carlos
Texto construído a partir da live feita pelo Lawlyet Leonardo em 02/11/2014
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