Os seguidores de Nessahan Alita e seu movimento “realista” adquirem uma certa visão de mundo que é por demais reveladora. O espécime “realista” dessa vez é John Konstantinos que, através de sua “bola de cristal, sintetiza-nos o seguinte quadro referente às mulheres:
A mulher passa a vida toda na putaria dispensa os homens bons e trabalhadores pra viver na vadiagem, depois que ficam velhas e não podem mais disputar os cafajestes com as mais novas, ai” se arrependem” e procuram um dos caras bons que ela sempre dispensava na jventude, pra assumir o bagaco que os cafajestes não querem mais,assumir os filhos dos caras também, e por isso que vadiagem feminina não acabara pois elas sabem que no final de tudo vai haver um hominho pra compensa-las por toda sua vida de promiscuidade.
Realmente uma retórica verossímil. Parece até ser criativa, mas não é muito diferente da versão feminista para criar o repúdio aos homens. “Os homens ficam galinhando até cansarem, então na hora de casar escolhem as mulheres boazinhas. Enquanto houver mulher tradicional disposta a cuidar da casa para um homem galinha, sempre haverá a opressão machista”. Na “bola de cristal”, há também o elemento do liberalismo, onde o relacionamento humano é reduzido a uma mera questão de competição e busca do lucro.
O que se consegue notar é que os dois discursos da “bola de cristal” escondem táticas de demonização ao sexo oposto e, sobretudo, alicerçam-se na incapacidade de arrependimento.
Ao tomar a mulher como um ser incapaz de se arrepender, os “realistas” sentem-se livres para criticá-las sem dó nem piedade. Não apenas isso: já não bastasse o coração incapaz de reconhecer suas próprias culpas, mas também são maquiavélicas o suficiente para traçar um plano de fuga. Não há ali um ser humano passível de erros ou conduzidos por uma cultura anti-cristã, e por isso mesmo confusos e sem norte, mas seres que só agem segundo a lógica do interesse a curto prazo e com um plano de escape a longo.
A origem dessa teoria “realista” que usam como bola de cristal está no conceito de “lado obscuro feminino” apresentado por Nessahan Alita. A coisa funciona do seguinte modo: toda mulher tem um lado obscuro que, se deixar aflorar, a domina e conduz seus comportamentos para negligenciar homens bons e atrair-se por homens maus. É basicamente por conta do poder desse lado obscuro que a mulher não se arrepende, ela seria um fantoche desse lado obscuro.
É um quadro que lembra o que Chesterton diz a respeito do materialismo: “usar o livre-pensamento para destruir o livre-pensamento”, criando uma corrente escravizante.
Os cristãos podem até perceber uma certa semelhança do “lado obscuro” com a natureza do pecado, mas o cristão não nega a graça divina e seu amor misericordioso que perdoa os nossos pecados. Esta é a principal diferença entre a visão “realista” e a visão cristã dos erros humanos. O que faz perceber que moldar a mulher errante como um ser incapaz de arrepender é menos uma questão de descrição da realidade do que ocultação da dificuldade de perdoar dos realistas.
Um outro ponto da “bola de cristal” descrita pelo John deve ser abordado. A história dele é verossímil. Existe a desonestidade de tomar uma situação anedótica como realidade geral, um recorte da realidade sendo tomada como a realidade inteira (é por isso que eu acho curioso eles se autodenominarem “Real”), mas… Digamos que se trata de uma mulher que “ferveu” em sua juventude e agora quer se relacionar de modo duradouro. Como saber se o arrependimento é verdadeiro ou não?
Talvez fosse necessário, antes de partir para um relacionamento duradouro, a ser mantido até a morte de um dos dois, uma etapa anterior para conhecimento recíproco, onde um tenta compreender o outro, traçar projetos futuros, descobrir qualidades e defeitos, concordâncias e discordâncias… Uma etapa anterior onde o sexo está fora de questão e a demonstração de afetividade restringe-se a beijos e carícias sutis.
Não estou sugerindo e nem propondo nenhum modelo novo. Trata-se do bom e velho modelo de namoro cristão, que na verdade é o mais correto e efetivo de todos. É um imperativo do namoro o compartilhamento do passado e de arrependimentos, bem como a observância para analisar o caráter alheio.
Nós shibumistas reencontramos a verdade do namoro, já os “realistas” estão na “modernidade moderna”, vítimas da revolução sexual. Em um namoro, estão dispostos a fazer tudo, exceto namorar. É por isso que possuem medo de assumir uma “mulher rodada”. E para evitar cair nesse erro – cujo antídoto é facilmente obtido pelo sistema de namoro cristão e observância nas virtudes humanas – optam por se relacionarem de modo “desapegado” como todas as mulheres.
No fundo do discurso da “bola de cristal”, reside tão somente o objetivo de tentar justificar uma contradição gritante: mulher promíscua é ruim; homem promíscuo é bom.
Os “realistas” não acreditam no arrependimento da vadia, e por isso não se afetam pela culpa caso a usem para objeto de prazer; os shibumistas, até porque somos exemplos vivos de conversão, acreditamos no perdão divino e enxergamos a dignidade até nas mulheres errantes. Não tentamos justificar o injustificável apelando para uma idéia de erro invencível de um “lado obscuro”.
#Augusto

Nenhum comentário:
Postar um comentário